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Golias, um morto muito vivo

14 Agosto, 2007 · Deixe um comentário

Golias: um morto muito vivo

     Ronald Golias já morreu há quase dois anos. Mas nem parece, porque em quase todos os dias da semana ele aparece na telinha. Tudo por obra do seu último empregador, Sílvio Santos, que, em mais um de seus delírios resolveu mexer na grade do seu ‘quintalzinho’, o SBT. Em meados de abril, tentando combater a Record, que lhe tirou o Pica-pau da grade e vinha tendo grande sucesso, SS resolveu desenterrar um programa produzido há mais de 15 anos: a Escolinha do Golias. O formato da Escolinha é bem parecido com a mais famosa, a do Professor Raimundo, que esteve no ar por muito tempo na Globo. Só que, ao contrário da versão global, o único foco da Escolinha do Golias é o próprio, cujo personagem é Pacífico, que inferniza a vida do professor Carlos Alberto de Nóbrega, com a ajuda de seus “escadas” – a Pazza, papel da também finada Nair Bello, uma versão feminina do Pacífico, a aluna inteligente que sempre responde certo e é humilhada por ele e, além disso, toda a fauna comum a este tipo de programa humorístico – as gostosas que só desfilam no vídeo (uma delas, a futura global Vanessa Bueno) e os onipresentes anões, que dão o toque “freak” a este tipo de programa. A Escolinha foi produzida entre 1990 e 1995, e o mais curioso é que o SBT edita cenas dos programas de diferentes fases sem critério algum, o que é notado pelos cenários e elenco diferentes – Nair Bello, por exemplo, esteve só em 1990 e 1991.

     Inspirada no sucesso do SBT, a Band resolveu tirar o mofo de seus arquivos e começou a reapresentar o programa Bronco, produzido entre 1986 e 1989, neste mês de agosto. Bronco é indisfarçadamente inspirado na Família Trapo, exibida pela Record nos anos 60, na qual Golias fazia este mesmo personagem – para quem não conhece, o formato é o mesmo que o Sai de Baixo também adotaria – gravado num teatro, personagens malucos e muito improviso. O texto é o ponto fraco de Bronco, que só tem alguma graça pelo improviso do afiadíssimo elenco, encabeçado pelos engraçadíssimos Nair Bello, Renata Fronzi (as irmãs de Bronco) e Laerte Morrone. E, sem dúvida, o fato mais curioso de Bronco é a presença da atual editora do Jornal Hoje, ela mesma, Sandra Annemberg, como a prima caipira gostosa de Bronco, sempre em roupas bastante insinuantes e com uma enorme cabeleira, bem ao estilo dos anos 80. Se Sandra como apresentadora é uma ótima atriz, a recíproca é verdadeira. Ela é de longe a atriz mais fraca de Bronco, sem quase nenhuma piada e unicamente com o papel de enfeitar o programa.  Mas Bronco tem sua graça, a despeito do texto claramente inferior e das edições bisonhas feitas pela emissora.

     As duas reprises – que vêm alcançando carreira satisfatória – servem para provar que o humor de Golias é atemporal, sem cair na paspalhice do Zorra Total ou na “inteligência” de outros humoristas que andam por aí. Ronald Golias era do raro tipo de pessoa que não precisava fingir ser engraçada – ele era naturalmente assim, e isso que tornava qualquer porcaria em que tomasse parte – como o Bronco – tão divertida, e que de certa forma o eterniza.

SERVIÇO:

Escolinha do Golias

     SBT – de segunda a sexta – 18h30

Bronco

     Band – segundas, 22h30

Categorias: TV/Teatro

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