A diversidade e os contrastes existentes na cidade de São Paulo serviram como inspiração para a realização do longa-metragem “Bem-vindo a São Paulo”, que busca retratar a maior metrópole brasileira através do olhar estrangeiro.
A idéia surgiu durante a comemoração dos 450 anos de São Paulo, e foi levada adiante pelo diretor Leon Cakoff, criador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Durante a realização do evento, diretores estrangeiros foram convidados a realizar um curta-metragem com suas impressões sobre a cidade. “Em qualquer lugar é assim. O estrangeiro consegue captar coisas que escapam aos habitantes, porque, afinal, as pessoas não reparam no que faz parte do seu cotidiano”, explica Cakoff.
Composto por 17 curtas de diferentes cineastas internacionais, o filme tem como objetivo observar aspectos de São Paulo sob um ângulo diferente, e mostrar como a metrópole impressiona – para o bem e para o mal – aqueles que não vivem em seu mosaico tão variado de imigrantes, influências e culturas.
Os documentários, que em sua maioria foram feitos não apenas sem orçamento, mas também sem equipe, procuram expor pedaços da diversidade de São Paulo. Interligados pela narração do baiano Caetano Veloso, os curtas receberam carta branca para sua realização, visando a criação de um filme com distintas visões sobre a cidade.
As visões dos cineastas porém, pouco diferem das imagens tão conhecidas pelos paulistanos e tão exibidas pela mídia. Em sua maioria, os curtas reproduzem os mesmos lugares comuns e mostram um olhar semelhante, deixando o filme muitas vezes redundante. Imagens da Praça da Sé, da Avenida Paulista e de ensaios de escolas de samba são freqüentes e nada originais, assim como a emblemática música “Sampa” de Caetano Veloso, recorrida por muitos dos diretores.
O ponto alto de “Bem-vindo a São Paulo” é o episódio dirigido pela brasileira Daniella Thomas, que tem como foco o Elevado Costa e Silva, o popular Minhocão. Ao percorrer o viaduto considerado uma aberração, a cineasta mostra suas pistas congestionadas durante o dia, vazias na madrugada e ocupada por pedestres no domingo. Os poucos minutos são dotados de muita sensibilidade, e responsáveis por fazer o filme valer a pena.
Gênero: Documentário
Classificação Etária: 12 anos
Ano: 2004
País: Brasil
Duração: 100 minutos
Roteiro: Leon Cakoff
Música: André Abujamra
Produção: Renata de Almeida, Leon Cakoff
Diretores: Phillip Noyce (Austrália); Renata de Almeida (Brasil); Mika Kaurismäki (Finlândia); Kiju Yoshida (Japão); Jim McBride (EUA); Hanna Elias (Palestina); Maria de Medeiros (Portugal); Tsai Ming-Liang (Taiwan); Ash (EUA); Mercedes Moncada e Franco de Peña (México/ Venezuela); Andrea Vecchiato (Itália); Max Lemcke (Espanha); Amos Gitai (Israel); Leon Cakoff (Brasil); Daniela Thomas (Brasil) e Wolfgang Becker (Alemanha).
Por Adriana Boghosian
















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