
“Caparaó – A primeira guerrilha contra a ditadura” venceu edição do prêmio 2007, entregue na quinta-feira passada
POR RAFAEL ALBERTO
O 29º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos foi conferido a trabalhos jornalísticos em nove categorias, além de menções honrosas, em cerimônia na quinta-feira, dia 25, em teatro no centro de São Paulo. A solenidade ocorreu na data em que se completavam 32 anos do assassinato, pela ditadura militar, do jornalista que dá nome ao prêmio – considerado um dos mais importantes do jornalismo brasileiro e o principal em direitos humanos, instituído quatro anos após a morte de Herzog.
Concorriam 271 produções, no total. Na categoria “Livro-reportagem”, a comissão achou por bem reconhecer a percepção de um experiente jornalista que aos 7 anos de idade testemunhou a mobilização de tropas do exército na cidade de Alegre (ES).
Criança, o futuro jornalista foi se inquietando sobre os mistérios que envolviam aquela movimentação – e que eram indícios da operação militar que pôs fim à primeira guerrilha contra a ditadura brasileira, a Guerrilha do Caparaó. Trata-se do livro “Caparaó – A primeira guerrilha contra a ditadura” (Boitempo Editorial).
Ao querer responder àquela curisidade infantil, o jornalista Caldas acabou revelando ao país um dos seus episódios menos conhecidos. Na obra, o jornalista resgata este que, segundo ele, foi a primeira etapa da luta armada contra a ditadura, que só terminaria com a derrota da Guerrilha do Araguaia.
No discurso em que agradeceu o reconhecimento da premiação, Caldas declarou que apenas publicou, “mas quem escreveu o livro foi a história”.
Na categoria “Revista”, a vencedora foi a reportagem sobre garimpo na Amazônia (“Época”). O troféu foi entregue por Antonio Carlos Malheiros, presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, integrante da comissão organizadora. Na categoria “TV – Reportagem”, a premiada foi a série de reportagens sobre mulheres que transformaram a comunidade onde vivem (Record). Em “Arte”, o vencedor foi o trabalho “Prisões humanizadas”.
Na categoria “Internet/Site”, o blog “Contador de homicídios”. Em “Rádio”, a série de reportagens sobre afrodescendentes recebeu o prêmio, que foi entregue pelo bispo auxiliar de São Paulo dom João Mamede Filho, que representou o arcebispo dom Odilo Scherer no evento. Na categoria “Jornal”, a premiada foi a série sobre brasileiros que vivem sob a “ditadura” do narcotráfico (“O Globo”).
Em “Fotografia”, a contemplada foi a imagem em que “PMs reagem com força à ação de bandidos” (“Diário de Natal”). Na categoria “TV – Documentário”, a série sobre a exploração na produção de fogos de artifício na Bahia (Record). Estudantes de jornalismo também foram premiados, com a reportagem vencedora “O quilombo dos tempos modernos luta por igualdade”, da zona leste.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, José Augusto Camargo, disse que os trabalhos vencedores contribuíram para o respeito ao direito civil, pelos qual todos os cidadãos são iguais perante a lei, que considerou o que “menos evoluiu” no país.