por Adriano Lira
O brasileiro não gosta de caveiras.
Passaremos, hoje e depois de amanhã, pelas festas mais estranhas de todas e — o mais impressionante — nenhuma dessas festas tem muita repercussão no país mais estranho de todos, o Brasil.Dia 31 de outubro, hoje, é o dia das Bruxas, o Halloween, e segunda-feira, dia 02 de novembro, é o dia dos Finados.
O brasileiro é o povo que mais adora tomar um banho no lago do paganismo. O brasileiro acredita em Deus, em Jesus, na Zíbia Gasparetto, no Walter Mercado e no Saci Pererê ao mesmo tempo… e ainda acha que vai para o céu! Bom, quem sou eu para julgar? Mas o engraçado é que nessa terra abençoada por Deus e pelo Boitatá, não há espaço para caveiras, gostosuras, travessuras e festinhas no cemitério.
E o dia das bruxas, o Halloween, se tornou uma das festas principais do país mais puritano da América, os EUA! Lá, aquelas abóboras tradicionais dominam o cenário e crianças vestidas que nem o Satanás ficam andando pelas ruas vazias pedindo doces e guloseimas para vizinhos satisfeitos, que passam a noite distribuindo quilos de balas para os rebentos transeuntes. Depois que crescem, os adolescentes se vestem como o Satanás e se refugiam em clubes, onde podem dançar e namorar. Depois que os adolescentes crescem, eles
passam a comprar quilos de balas e as distribuem para as criancinhas que passam pela rua. É um ciclo sem fim, fazendo com que todos fiquem acordados durante todo o Halloween.
Enquanto isso, no Trópico de Capricórnio, adolescentes só sairão de casa porque hoje é sábado e tem balada. E nada de se vestir como o Satanás. No baile funk, as mocinhas vão do jeito que o Satanás gosta: sem roupas. E se alguma criancinha estiver andando pelas ruas, provavelmente ela será raptada por alguém e vendida ao exterior — portanto, as crianças não saem de casa e os adolescentes que crescem tomam conta das crianças. O 31 de outubro no Brasil não passa de uma data comum e sem graça.
No dia 02 de novembro, há a festa mais divertida do México, a Festa do dia dos Mortos, onde as pessoas saem para celebrar e festejar pelos morto
s que já não podem fazê-lo. A festa tem origem indígena, mas como os espanhóis adoravam uma festa, participaram da bagunça também. Neste dia, os cemitérios tornam-se um playground, onde todos decoram as sepulturas dos seus entes queridos, dançam músicas típicas e vestem caveiras típicas do Satanás enquanto comem MUITO, pois os vivos devem comer pelos mortos que já não o fazem. E ainda há os doces típicos, como as caveiras de açúcar, as balinhas de ossos e o pão dos mortos. Os vivos deixam também cigarros e tequila para os mortos. Os cigarros e a tequila sempre acabam – não é só no Brasil que roubam cemitérios…
Enquanto isso, no Brasil, uma parcela do pessoal está pouco se lixando para os defuntos: foge para a praia, demorando 18 h no trajeto São Paulo – Santos e passa o dia dos mortos comendo muito – mas frango com farofa, e na praia. Os mais velhinhos pegam seu carro e vão acender velas no Araçá – os mortos daqui passam mais fome. E o pior, alguns adolescentes que não vão à praia e acham cemitério um saco ficam estudando e fazendo trabalhos para a faculdade, o que é pior que a morte.
Só no Brasil mesmo…











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