Por Mayra Siqueira
Não é só no Brasil ou com brasileiros que acontece o fatídico envelhecer, engordar, e “baladear” no mundo dos talentos esportivos. Só que, em alguns casos, nem todos dão a mesma sorte de Ronaldo, que quando sua carreira parecia sem chances de recuperação, voltou para seu país e acertou com um dos maiores clubes nacionais – o Corinthians.
Lá na Itália, um grande nome dos anos 90 não conseguiu o mesmo impacto que o Fenômeno: Christian Vieri deu adeus aos gramados nesta quinta-feira. Depois de uma carreira bem sucedida no futebol italiano, e passagens pelo espanhol e francês (Atlético de Madri e Monaco), o atacante que representou a seleção Azzurra nas Copas de 1998 e 2002 não tem dado sorte faz tempo na busca por uma nova equipe.
Aos 36 anos, o ex-jogador da Internazionale (e Milan, Lazio, Juventus, Fiorentina…) estava sem clube desde o final da última temporada, quando rescindiu contrato amigavelmente com a Atalanta, também da Itália.
Nesta quinta-feira, declarou que “não tenho mais vontade de jogar, e não estou interessado em atuar no exterior”. Mais fácil falar isso, uma vez que passou os últimos meses tentando beliscar aqui e ali uma vaga em algum outro time – sem sucesso. Na pré-temporada, tentou negociar com o Blackburn, e até chegou a treinar com o clube inglês, mas a negociação não deu certo. Há dois meses, esteve no Brasil, com o pretexto de tratar-se em uma clínica em Campinas, e acabou “aproveitando” para entrar em contato com clubes daqui, buscando alguma nova chance.
Até onde se sabe, tentou negociar pelo menos com Flamengo e Santos, mas o valor que pediu foi muito além do que os clubes poderiam aceitar, e voltou rapidinho para a Itália. Não é difícil suspeitar que o atacante esperava ganhar dinheiro fácil no futebol brasileiro, e, ao perceber que não seria bem assim, retornou pra Bota depois de uma semana.
Sua carreira, obviamente, não teve nada desprezível, e seu currículo fala por si só: além de ter atuado em grandes clubes, sendo artilheiro dos campeonatos Italiano e Espanhol, esteve em dois Mundiais – e foi, dos italianos, quem mais marcou em Copas, com nove gols, ao lado de Roberto Baggio e Paolo Rossi.
Após a confirmação do “desencanto” do atleta com o esporte, a imprensa italiana se agitou: defendem que o atacante seguirá carreira profissional no pôquer. Quem sabe ele não aposte os € 21 milhões que aguarda do processo que moveu contra a Inter (e a Telecom da Itália), sob acusação de espionagem…





Por Érica Perazza





