No último final de semana (21 e 22 de novembro) a cidade de São Paulo foi palco de mais um festival de música. Depois do Maquinaria e do Planeta Terra, foi a vez do Natura Nós About Us que, após mudança de local, aconteceu na Chácara do Jockey e teve como pano de fundo o tema da Sustentabilidade
Duas mil pessoas estavam presentes no primeiro dia que contou com uma programação voltada para à família. Turma da Mônica, Afro Mix, Meninos do Araçuaí e Palavra Cantada se apresentaram, e durante os intervalos dos shows, as crianças puderam participar de diversas oficinas educativas tais como construção de brinquedos a partir de materiais reutilizados, oficinas de percussão ministradas pelo grupo AfoReggae, jogos de conscientização na tenda da S.O.S Mata Atlântica entre outras.
Porta bitucas foram distribuidas ao longo do festival, assim como mudas de Urucum, Palmito, Ingá e Dedaleiro. Para comer, apenas comidinhas orgânicas.
foto Brunno Marchetti
SEGUNDO DIA
Mais de 14 mil pessoas compareceram ao segundo dia de shows. O tímido público presente no primeiro show do dia, da banda AfroReggae, foi crescendo ao longo das apresentações. Arnaldo Antunes mostrou suas músicas fruto de seu último trabalho, o album Iê Iê Iê Iê, e Carlinhos Brown agitou a platéia que pareceu não se importar com toda lama devido à chuva da noite anterior. Brown desceu do palco e fez coreografias com a multidão que o acompanhava sorridente. Lenine fechou o ciclo de artistas brasileiros com um show que reuniu várias de suas músicas já conhecidas.
Carlinhos Brown agita o público/ foto Mariana Figueiredo
Por volta das sete e meia da noite Jason Mraz subiu ao palco para se apresentar pela primeira vez no país. De chapéu e roupa descontraída, o artista cantou algumas de suas músicas ainda desconhecidas. Sandy, da antiga dupla Sandy e Junior, fez uma rápida- e estranha- participação na música Lucky. Durante seu principal hit I´m yours o público, em coro, acompanhou o cantor enquanto os pingos de chuva começavam a apertar.
Primeiro show de Jason Mraz no país/foto Brunno Marchetti
Quando Sting subiu no palco o temporal que havia se formado deu uma trégua. Como principal atração do evento, o ingles saudou os presentes com as palavras “ Saudades São Paulo”. Mesmo ensopada e com os pés sujos de lama, a platéia curtiu os principais sucessos do cantor e contrabaixista desde os tempos do The Police.
Público de mais de 14 mil pessoas no show de Sting/ foto Brunno Marchetti
Para a última música, Sting trouxe ao palco seu antigo amigo Raoni. O cacique falou algumas palavras em sua língua nativa ( que obviamente não puderam ser compreendidas) e abraçou o cantor que tocava na “Fragile” -desta vez na guitarra. A imagem marcou o fechamento do Festival que teve como pano de fundo discussões sobre a preservação do planeta terra.
Bob Dylan lançou na semana passada o clipe da canção “Must Be Santa”, faixa do recém-lançado primeiro disco de Natal do cantor, “Christmas in The Heart”.
Sim, pode acreditar, Bob Dylan deixou de lado sua face rebelde para usar uma peruca grisalha, um gorro de papai Noel, cantar felizes músicas natalinas e fazer caridade. Tudo ao seu estilo, claro. Sua voz velhinha, rouca e antipática dá o tom a 15 músicas com arranjos animados de blues, folk, gospel, polka e country.
No vídeo, Dylan aparece em meio a uma festa muito louca de Natal em uma residência. É a primeira vez que o cantor dá as caras em um de seus clipes desde “Not Dark Yet”, do álbum Time Out of Mind, de 1997. A aparente infantilidade e inocência do projeto de Dylan na verdade reflete uma temática cristã que há tempos o músico se identifica. “Christmas In The Heart” é o 47º disco do cantor e compositor norte-americano e inclui canções como “Here Comes Santa Claus”, “Winter Wonderland”, “Little Drummer Boy” e “Must Be Santa”.
Parte do o dinheiro arrecadado com os royalties de Dylan na venda do disco será doado para a instituição Feeding America, organização norte americana de combate à fome, e outras instituições internacionais de caridade. A idéia é que a ação beneficie mais de um milhão de pessoas durante o Natal. “É uma tragédia o fato de que mais de 35 milhões de pessoas nesse país – 12 milhões delas crianças – durmam com fome e acordem cada manhã sem a certeza de onde irão realizar sua próxima refeição”, declarou Dylan em seu site oficial.
No dia da morte de Zumbi dos Palmares – líder do Quilombo dos Palmares, 20 de novembro, a Praça da Sé receberá artistas como Elza Soares, Luiz Melodia, Quinteto em Branco e Preto e o rapper Kamau. Outras atrações promovidas pela Secretaria de Estado da Cultura celebram o Mês da Consciência Negra na capital e em mais 15 cidades da Grande São Paulo e interior.
Um dos destaques é o tributo a Michael Jackson, dia 19, no Memorial da América Latina, com a participação de Vanessa Jackson e convidados. No dia 28 de novembro, o Memorial sede mais uma vez seu espaço para o 3º Encontro Paulista de Hip Hop. No Local serão realizadas oficinas e atividades ligadas ao movimento.
No Centro Cultural São Paulo (CCSP), no próximo dia 17, a apresentação fica por conta de Zal Isidra Sissokho (músico senegalês). Intervenções artísticas, show de abertura, Jam Session de Percussão com Zé Benedito e conviadados, Intervenção de Artes Plásticas com Guilherme Scabim, Discotecagem de DJ MF e a Performance de Dança com Vanessa Soares completam o evento.
Serviço:
Dia 17 – Centro Cultural São Paulo
21h – Zal Isidra Sissokho
Endereço: Rua Vergueiro, 1.000 – Paraíso – Zona Sul
Telefone: (11) 3397-4002
Dia 19 – Memorial da América Latina
19h –Tributo a Michael Jackson
Endereço: Av. Auro S. de Moura Andrade, 664 – Barra Funda – Zona Oeste
Telefone: (11) 3283-4757
Para garantir a sua entrada chegue no mínimo uma hora e meia antes do espetáculo.
Dia 20 – Praça da Sé
12h – ILE AYE - A Noite da Beleza Negra 14h - HIP HOP - Kamau – convida
GOG (Brasilia) 16h – SAMBA - Quinteto em Branco e Preto – convida
Dª INAH SP
Germano Mathias (SP)
Murilão 18h - MPB Luiz Melodia e Banda 20h – POP Elza Soares convida Thiago França (Saxofonista)
Dia 28 – Memorial da América Latina
10h – 3º Encontro Paulista de Hip Hop
Endereço:Av. Auro S. de Moura Andrade, 664 – Barra Funda – Zona Oeste
Telefone: (11) 3283-4757
Dia 29 – Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
18h – Bnegão e Seletores de Frequência
Endereço: Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641 (Próximo do Terminal de Ônibus Cachoeirinha) – Zona Norte
Andar de avião pra cima (Europa) e pra baixo (América do Sul) com a comitiva do presidente do Brasil não é tudo que o (ex) ministro da cultura faz.
Aproveitando os dias de “folga” o ilustre e renomado Gilberto Gil aproveita pra fazer o que mais sabe: música.
Na próxima segunda-feira (26), o mestre vai dar uma aula-show de MPB. Será auxiliado pelo pianista Cidinho Teixeira. A imperdível aula será transmitida ao vivo pela rádio Eldorado (no Twitter também: aqui) na internet.
Se você ama MPB e prefere ver o Gilberto Gil com um violão a vê-lo como ministro, não pode perder.
Então, segunda, às 21 horas, clique no link acima e curta!
Há exatamente cinquenta e um anos, Alan Eugene Jackson nascia em Newnan, na Georgia. E há pouco mais de duas décadas, debutava a carreira compondo para comerciais no Tennessee. Pouco tempo depois, vestido como um autêntico cowboy, Jackson desbravaria o Novo Mundo e conquistaria o público com a voz e o violão, atingindo o topo das paradas trinta e quatro vezes e angariando uma extensa lista de prêmios.
Números não tão impressionantes para quem executa com boa dose de maestria um estilo tradicional, imortalizado por nomes como Johnny Cash e Willie Nelson.
O título dá margem a dúvidas, seria um musical? Não, Rock’N’Roll não é um musical, é, na verdade, uma peça que se baseia na música para contar uma história sobre a desestruturação do comunismo no leste europeu. Com uma trilha sonora de deixar qualquer roqueiro orgulhoso, a peça, concebida por Tom Stoppard, tem como único defeito sua duração: são três horas com apenas um intervalo de 10 minutinhos.
É, são três horas, mas três horas de Syd Barret, Rolling Stones, Pink Floyd, U2, Beatles, Bob Dylan, Beach Boys, John Lennon, Velvet Underground, Grateful Dead, Guns’n’Roses, Doors e The Plastic People of the Universe, banda que surgiu em Praga, logo após a famosa Primavera, e que serve de impulso para o enredo da peça, que se passa em Cambridge e na cidade Tcheca, entre os anos de 1968 e 1990.
Otávio Augusto (à dir.) contracena com Thiago Fragoso na peça.
A história gira em torno de Max (Otavio Augusto, indicado ao Prêmio Shell como melhor ator), um professor marxista que goza da liberdade acadêmica na Universidade de Cambridge, e Jan (Thiago Fragoso), um estudante tcheco do qual Max é mentor por um breve período. Em meio a isso existem paixões, doenças, repressão e, é claro, muita música.
Com um elenco de peso e direção de Felipe Vidal e Tato Consorti, Rock’N’Roll teve casa cheia durante sua temporada no Rio de Janeiro e já está fazendo o mesmo por aqui.
Serviço:
Teatro Paulo Autran – SESC Pinheiros (950 lugares)
Rua Paes Leme, 195 tel. 3095-9400
Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 18h.
Ingressos: R$20,00 (inteira), R$10,00 (usuário matriculado, a partir de 60 anos e estudantes com carteirinha) e R$5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).
Se você é um Rock Star e está prestes a completar 27 anos de vida, siga as seguintes instruções: escreva um livro, plante uma árvore e viaje o mundo. É claro que, se você é realmente um rock ‘n roller, você já entendeu a mensagem, mas para aqueles que não conhecem o maior mito desse fantástico gênero musical, eu explico. Acontece que 27 é a idade maldita para os astros do Rock, muitos deles morreram no ano de seu vigésimo sétimo aniversário.
Brian Jones (Rolling Stones), Jim Morrison (The Doors), Janis Joplin, Jimi Hendrix e Kurt Cobain (Nirvana) são os mais notáveis representantes dessa mórbida lista. Todos eles eram ícones de suas gerações e eternizaram seus nomes na história da música contemporânea.
No entanto, se você faz parte de alguma banda como Fresno ou NxZero, fique tranqüilo, você provavelmente morrerá aos 64 anos sendo dono de uma churrascaria no interior do Paraná — e ninguém se lembrará de sua banda. Morrer aos 27 é para os melhores.
Jennifer Lo-Fi: sonoridade não convencional e shows online. Eis a definição mais próxima desta banda.
Filho da internet como muitos de sua geração, o grupo se utiliza dos recursos da rede, como o Twitter, Last FM e Myspace, para se promover e distribuir suas músicas. Fruto de uma mistura de gêneros musicais, como o rock experimental e o post-rock , disto resulta seu som único e empolgante, que pode ser conferido nos vários shows em sua agenda.
Entretanto não é apenas no seu estilo inusitado e nos sites de relacionamento que a banda se apóia. Ela aposta também em uma prática ainda pouco utilizada pelos artistas: shows de graça na internet.
Todas as terças-feiras, às 20:00 horas, o grupo se reúne para tocar e interagir com seu público através do site Myspace. Até agora a experiência tem dado certo e é assim que pretendem continuar, afirma um dos guitarristas, Felipe Miu, na entrevista abaixo.
Coincidentemente ou não, vive-se no país uma onda de diferentes estilos musicais. Bandas instrumentais, post-rock, experimentais, shoegaze, parecem agora explodir em vários cantos, desde os gaúchos do “Pata de Elefante“, passando pelos matogrossenses do “Macaco Bong” até o grupo “Perdeu a Língua“, de Sergipe. O crescente interesse por estes gêneros contribui para o surgimento de festivais como o “Sinewave Festival“, evento realizado em São Paulo que leva o nome do selo responsável por difundir estas novas tendências pelo Brasil.
Confira a entrevista realizada com Felipe Miu, guitarrista do Jennifer Lo-Fi:
Já se sabe as influências estrangeiras da banda (Cat Power, The Mars Volta, Belle & Sebastian, Sigur Ros e Sonic Youth), mas existe alguma banda brasileira que tenha inspirado vocês? Com qual(is) banda(s) daqui gostariam de tocar num festival?
Olha, nós admiramos várias bandas da cena brasileira, mas a influência mesmo é bem sutil. Algumas bandas que a gente admira daqui são ”Rancore” e “Mombojó“. Curtimos também umas coisas mais distantes do nosso som que acabam influenciando a banda de leve, como Hermeto Pascoal e Milton Nascimento.
Sobre quais bandas daqui a gente gostaria de tocar junto num festival… sei lá, tem muita coisa foda pra ouvir por aí, muita. Escutei uma vez uma banda chamada “Yavé” (ou algo assim) de Pernambuco e os caras tocavam muito, mas não existe divulgação nem apoio de nenhum lado. É complicado. Tem muita banda boa pelo Brasil inteiro, mas não contam com apoio de ninguém e aí fica difícil.
O Jennifer Lo-Fi aposta na internet como uma nova maneira de se chegar ao público. No entanto não é pacífico entre os artistas esta utilização da rede como meio de divulgação de músicas. A cantora Lily Allen, recentemente, fez declarações contra a FAC (Featured Artists Coalition), da qual fazem parte bandas como Radiohead, Annie Lennox e Robbie Williams que defendem o download como “uma importante forma de promoção e marketing dos artistas.”
Na opinião da banda, ainda é possível fazer sucesso à ”moda antiga”, desprezando a internet? Bandas novas conseguem viver de shows e publicidade apenas, já que o mercado de CDs encontra-se em decadência?
Acho que é bem difícil fazer sucesso à ”moda antiga”. A internet se tornou um meio de comunicação essencial pra qualquer tipo de arte. Justamente pela sua pergunta se referir a “bandas novas” é praticamente obrigatório o uso da internet como meio de divulgação, dentre outras coisas.
Qual tem sido a resposta dos internautas aos seus shows na web, realizados todas as terças-feiras no Myspace? Pretendem continuar com esta prática?
A resposta tem sido ótima. Além de ser um meio que propõe ao fã ou curioso uma intimidade maior com a banda, os “webshows” acabaram se tornando um “diferencial”, algo que destaca a banda entre tantas outras que estão por aí. E sim, pretendemos continuar .
A mistura de estilos torna o som de vocês bastante difícil de ser definido. Isso atrapalha na relação da banda com seus ouvintes ou, pelo contrário, atrai pela diferença? Vocês mudariam sua sonoridade para estourar na grande mídia, de forma a ficar mais ”palatável” para o público em geral?
Olha, no começo a gente meio que esperava que isso ia dar problema. Pensamos que o pessoal não ia receber bem a mistura de estilos no som, mas acabou ocorrendo o contrário. O som diferente se tornou um atrativo e é ótimo ver isso acontecendo: a gente tocando o que gosta, com o coração, e as pessoas aceitando, curtindo e compreendendo a proposta.
E não, não mudaríamos a sonoridade com o propósito de estourar na grande mídia, sem chance! (rs). Quando começamos a tocar juntos nós já percebemos que o que tínhamos era algo singular e que a evolução do som ia seguir mais ou menos nessa direção que está seguindo agora. Sinto que a cada dia as pessoas estão abrindo mais a cabeça, expandindo os horizontes, e aí com o tempo acabam compreendendo sons (ou arte em geral) que antes não compreenderiam ou desprezariam.
Neste um ano e meio de existência da banda, qual foi a melhor experiência de vocês no palco? Existiu algum show marcante?
Todos os shows são marcantes. O show no Kabul (festa “Ego Tripping“) foi ótimo, curtimos pra caramba a energia do lugar e do público. Pra cada integrante da banda acho que existem shows mais ou menos marcantes, é claro…
Uma lembrança boa que eu tenho de shows é quando, olhando pra platéia, você vê gente de olhos fechados vibrando com o som. Isso passa uma sensação muito boa. Fico bem feliz também quando um show acaba e alguém desconhecido vem dizer que curtiu o show, o som e tal. É uma sensação única.
Recomendo os shows no “Inferno Club“. Nós tocamos lá com uma certa constância e o lugar é ótimo. Os shows lá são sempre fodas (pelo menos pra gente). Nós nos sentimos mais confiantes quando tocamos ali por ser um lugar conhecido e, consequentemente, ficamos mais relaxados, o que acaba fazendo o show ser mais legal. Mas também não tô dizendo que outros shows não são legais (rs).
Segundo a banda The Exploited, o punk rock não morreu. E seguindo essa premissa, o grupo desembarca em São Paulo na primeira quinzena de novembro, fechando com chave de ouro uma série de shows que marcaram o retorno de grandes músicos do estilo ao Brasil.
Sham 69
Entre moicanos e suspensórios, os ingleses do Sham 69 se apresentaram em setembro último na capital paulista. Criada em 1975, a banda se destaca por ser uma das precursoras do movimento Oi!, também conhecido (à época) como street punk.
G.B.H
Contando com a agressividade que consagrou o grupo na década de 70, o G.B.H retornou ao Brasil após cinco anos no dia 9 deste mês. Com três integrantes da formação original, a banda, fundada em 1978, tinha no repertório músicas do começo da carreira (como Sick Boy e Time Bomb) e canções de discos recentes. O quarteto fechou a noite com White Riot, clássico do cultuado The Clash.
Revivendo o auge do movimento punk em terras tupiniquins e comemorando trinta anos de existência, o Cólera subiu aos palcos no início deste mês e mostrou o mesmo som carregado com o qual protestava contra a violência na década de 80.
Cólera
Ainda nesta época, foi lançada uma coletânea que reuniu o que de melhor havia no cenário nacional. Tal disco –chamado Ataque Sonoro- contava com a presença do grupo Grinders, que recentemente abriu o show do G.B.H.