Por Álvara Bianca e Letícia Magalhães
Ontem à noite em meio ao apagão que atingiu 18 estados brasileiros, foi por meio do rádio que parte da população pode obter algumas informações sobre o que estava ocorrendo na cidade.
Tendo as emissoras funcionando através de geradores e contou com a participação dos ouvintes para levar as informações para todos. De onde estavam ligavam para as rádios e falavam sobre o que estavam vendo, que não tinha luz em tal bairro, que estava trânsito. Inclusive pedidos de que fossem levado diesel para abastecer alguns geradores que já estavam com a sua capacidade no fim.
Foram por várias horasforam levadas pelas ondas do rádio as informações sobre o apagão. Rádios como a Jovem Pan, que contou com a participação ao vivo do governador José Serra dando uma entrevista.
Teve também cobertura por parte da CBN, Rádio Bandeirantes, Sulamerica Trânsito e Eldorado, que teve a prticipação do prefeito Gilberto Kassab.
Com isso mostrou que o jornalismo é feito também com a participação dos cidadãos, dos ouvintes que estão em toda parte atentos e que estão dispostos a cooperar à serviço da informação. E que também todas essas tecnologias dependem da energia elétrica para funcionar. E que nada como o velho e bom radinho à pilhas. Que nessa hora foi muito útil assim como as velas.

Avenida Paulista às escuras durante o apagão (Foto: Antonio Roberto Vilela Jr/VC no G1)
Jornalismo Cidadão (citizen journalism)
Apesar de o apagão ter pego a população de surpresa, o jornalismo cidadão foi um dos poucos desde o início do problema que se mostrou presente. As pessoas contribuíram ao vivo com informações sobre o que estava acontecendo em seu bairro e sua cidade e após o período muito mais ao enviarem seus relatos ao mundo.
O interesse neste caso foi que o interesse muito além do “What are you doing?” e se tornou uma ponte de comunicação e denúncia sobre o blecaute.
Diversos sites abriram espaço para que fossem divulgados os depoimentos dos internautas.

Vista da avenida Paulista, em São Paulo, durante o apagão. Foto enviada por internauta.
Veja alguns relatos encaminhados ao site de notícias Folha Online:
“Sou engenheiro e moro na cidade de Santos, durmo sempre por volta da meia noite. Ontem [terça-feira (10)], excepcionalmente, fui deitar as 21h40, liguei o ar condicionado, peguei meu ededron e dormi. Lá pelas 23h acordei todo molhado de suor, levantei no escuro para beber uma água e quando sai do quarto estava tudo escuro, ao me encaminhar para cozinha tomei um susto ao ver minha mulher e minhas filhas na sala e uma quantidade enorme de velas acesa. Tomei o maior susto, ainda meio tonto de sono pensei: morri, esse deve ser o meu velório, levou alguns segundos para ficha cair. Me inteirei dos fatos pela rádio Bandeirantes, devido ao calor só consegui voltar a dormis às 4h quando a energia voltou e pude religar o ar condicionado.” Wanderley Fernandes Lopes, Santos-SP
“Durante o apagão, toda a região de Taboão da Serra [Grande SP] ficou às escuras e somente consegui informações sobre o que ocorria através do rádio. Ao contrário do que foi afirmado pela TIM, meu celular não recebia ou fazia chamadas durante todo o período do apagão, aparecendo sempre a mensagem de ‘rede ocupada’.” Francis Hamzagic, Taboão da Serra-SP
“Estudo na FMU, campus da Liberdade, próximo ao metro São Joaquim, e ontem durante o blackout a avenida ficou muito tumultuada, pois há outras faculdades e cursinhos próximos, grande maioria dos alunos que foram dispensados das aulas e se direcionaram para a avenida Liberdade para tomarem um meio de transporte. Houve empura-empura no metrô. Infelizmente, muitos trombadinhas aproveitaram a ‘oportunidade’ para roubarem bolsas, celulares, etc. Foi um caos!”. Raquel Machado, São Paulo-SP
“Fomos dispensados da faculdade que fica na Av. Paulista por conta do blackout. A princípio não tínhamos a dimensão do problema. Pior do que a escuridão foram os momentos de tensão que passamos. A incerteza de como chegar em casa e presenciar um assalto na própria av. Paulista. Alguns se aproveitaram da escuridão e vimos uma pessoa ser assaltada. Na Consolação era impossível pegar um ônibus. Quando conseguimos, as pessoas começaram a ficar alteradas, não querendo que o ônibus parasse nos pontos. Já na Radial Leste, a tensão piorou. As pessoas invadiram uma das pistas e alguns rapazes paravam na frente dos carros gritando por carona. Vi um carro ser balançado com força por uns 5 rapazes e os dois ocupantes aterrorizados. Decidimos mudar de ponto de ônibus. Minha viagem, que normalmente é de metrô e demora 50 minutos pra chegar em casa (zona leste) ficou em 4 horas, com 3 ônibus e uma carona de carro. Muita tensão.
Adriana Simon, São Paulo-SP
O R7 também se mostrou parceiro com o jornalista cidadão.
Gecilda Vieira disse: Moro numa pequena cidade do interior, no sertão de Pernambuco, chamada Santa Cruz,e ao contrário dos outros estados que se surpreenderam com o apagão ocorrido na noite de ontem. Nós estamos com esse problema já faz mais de quinze dias que estamos sofrendo com faltas de energia elétrica e muitas quedas de eletricidade, que estão ocorrendo em nosso municipio. Muitas pessoas foram prejudicadas , tiveram aparelhos eletrodomésticos , computadores queimados. E já foram feitas várias reclamações , mas ninguém toma providência. Desculpe, não quero ser irônica, mas enquanto o apagão de virou destaque em todos os jornais do mundo, nas cidades do interior de Pernambuco já virou uma vergonha e quem sofre com os prejuízos, nós, simplesmente nós.
João disse: Aqui em SP é sempre igual. Às vezes acaba a luz, minha avó algumas vezes precisa usar o inalador elétrico por causa da sua asma e bronquite; tentamos ligar para a Eletropaulo, tentamos e tentamos… Tentamos… Tentamos… Tentamos… Tentamos… Tentamos… Tentamos… Finalmente conseguimos depois de 2 horas aproximadamente. Aí a atendente pergunta: – Acabou a luz na via pública ou apenas na residência? Respondemos: Acabou tanto na via pública, como na residência. A atendente responde: Então vc. precisa ligar para a AES Eletropaulo, vou te passar o número… 0800-7220156 Logo depois tentamos ligar para a AES. Tentamos… Tentamos… Tentamos… E assim por diante. Após as 2 horas, finalmente conseguimos. Pensamos: Agora vamos resolver o problema. A atendente pergunta: Posso te ajudar? Respondemos: Gostaria de comunicar a falta de luz na via pública e na minha residência. Ela responde: Então vc. tem que ligar na Eletropaulo… Telefone 0800-7272196 Incrível! É sempre assim…