Aconteceu nesse sábado em São Paulo a quarta edição do Festival Planeta Terra. Pelo segundo ano no parque de diversões Playcenter, o evento recebeu cerca de vinte mil pessoas.
Mais uma vez, o festival mostrou uma organização competente, com atrasos mínimos nos shows. As poucas críticas são para o acesso ao Indie Stage, dois corredores que não deram conta do fluxo de pessoas que queriam entrar para ver o Hot Chip e que queriam sair para ver o Pavement no outro palco, e para a praça de alimentação, que só servia lanches de micro-ondas a preços bem salgados.
Veja as resenhas dos shows cobertos pela reportagem:
of Montreal
Roupas coloridas, gente fantasiada no palco. Foi assim que o grupo norte-americano fez seu show. Primeira atração internacional a se apresentar no Main Stage, o of Montreal contagiou quem estava na pista com seu indie pop. Destaque para o vocalista e guitarrista Kevin Barnes, excelente frontman, seja tocando e cantando, seja interagindo com os dançarinos vestidos de ET.
Passion Pit
Segundo show internacional do Indie Stage, os norte-americanos do Passion Pit fizeram um show competente, repetindo bem os sons do estúdio, como os sintetizadores e os falsetes do vocalista Michael Angelakos, que também mostrava ótima presença de palco. O público estava empolgado, acompanhando com palmas e cantando, mas o início da apresentação do Phoenix no outro palco fez muitos deixarem o show (inclusive esse que vos escreve).
Phoenix
Uma das maiores atrações do festival, os franceses do Phoenix abriram o show com o hit “Lisztomania”, empolgando o público. Logo após, foi a vez de “Lasso”, que manteve o nível. Mas parou por aí. O resto do show foi morno, quase insosso, inofensivo, com exceção de uma ou outra música do álbum mais recente, Wolfgang Amadeus Phoenix. Desapontante? Sim, um pouco.
Pavement
Depois de um hiato de onze anos, o Pavement voltou à ativa esse ano com uma turnê mundial. O primeiro show na América do Sul foi no Main Stage do Planeta Terra – a banda ainda tem duas apresentações marcadas na Argentina. E o show começou muito bem: Stephen Malkmus puxou “Gold Soundz” para abrir a apresentação. Logo em seguida, foi a vez da belíssima “Grounded”.
A banda conseguiu manter o ritmo e o nível durante todo o show. Clássicos como “Stereo”, “Shady Lane” e “Cut Your Hair” marcaram presença no setlist da banda, que incluiu músicas de todos os seus cinco álbuns. Ao todo, foram vinte e duas músicas. Destaque para “Range Life” e sua provocação a última banda do palco, o Smashing Pumpkins.
Smashing Pumpkins
Se o Pavement voltou à atividade só para tocar seus clássicos, a banda de Billy Corgan segue o caminho oposto: retornou com o álbum Zeitgeist em 2007 e vem lançando na internet uma série de músicas intitulada Teargarden by Kaleidyscope. Assim, clássicos foram mesclados com muitas músicas novas.
A divisão das músicas acabou dividindo também o público: enquanto fãs da banda curtiam intensamente o show, a parte do público que não era tão afeita aos Pumpkins se mostrava entediada, principalmente durante “United States”, música de cerca de dez minutos com solos de bateria quase intermináveis.
Se clássicos como “Zero”, “Ava Adore” e “Bullet With Butterfly Wings” uniram e levantaram o público, outros como “1979” e “Disarm” fizeram falta. Um show instável, variando de momentos ótimos a péssimos. Decepcionante para alguns, épico para outros.



