Arquivo do mês: agosto 2007

Relendo Clássicos – “Sobrevivo a mim mesma”

Sobreviver a si mesmo é o grande desafio encontrado no romance A Náusea, de Jean Paul Sartre. Antoine Roquentin, personagem principal – intelectual pequeno burguês, se sente acuado frente à pressão da leveza de sua própria existência e, em conseqüência, da existência das coisas sensíveis.

Perplexo, Roquentin se descobre vivo, mas sem sentido para sua vida. “Não desejavam existir, só que não podiam evitá-lo, era isso”, conclui o personagem em certa altura do texto. Não sem antes conduzir o leitor por um verdadeiro embate intelectual sobre a natureza das coisas sensíveis e a própria natureza do ente que pensa.

A náusea, que dá título ao romance, é fruto inconsciente de uma percepção demasiado aguçada sobre o sentido da vida – o de que ela não tem sentido.

Náusea literal. Náusea que coloca personagem e, em certa medida, leitores sob uma sensação de mal estar. Sensação que perpassa toda a história. Náusea psicológica, mas, também, náusea propriamente dita, física.

“Impossível não pensar em suicídio. Eu leio citações soltas de Sartre e já coloco o pé na janela”, disse-me uma amiga ao saber que eu estava lendo um romance inteiro do filósofo francês.

Mas até mesmo a morte seria demais no conflito de A Náusea. “A carne corroída teria sido demais na terra que a recebesse, e meus ossos, finalmente, limpos, descarnados, asseados e imaculados, como dentes, também teriam sido demais: eu era demais para a eternidade”.

Perceber a existência assim, tão próxima e, ao mesmo tempo, desnecessária, incomoda. Incomoda porque desconstrói verdades originárias. O mundo existe, assim como eu, sem porquê e independente da minha vontade.

Fugir desta percepção? “Ainda que me encolha em silêncio, num canto, não me esquecerei de mim. Estarei presente”, constata Roquentin, advertindo-se do perigo de querer tentar se afastar, inutilmente, da existência que pesava sobre si.

Roquentin não tem importância coletiva. “É apenas um indivíduo”, lê-se na epígrafe do romance. E é individualmente que Roquentin ridiculariza os homens, passivos e descansados na ‘certeza’ contraditoriamente dubitável de suas próprias identidades.

A arte, o amor e o trabalho são tábuas de salvação. Sensíveis, é verdade, mas possíveis.

 por Rafael Alberto

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Miss Saigon

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       Substituindo o espetáculo O Fantasma da Opera, o musical Miss Saigon estreou pela primeira vez no Brasil no dia 12 de Julho deste ano. O musical foi originalmente apresentado em Londres, onde ficou em cartaz por 10 anos (1989-1999) totalizando 4.263 apresentações e acumulando um total 30 prêmios – incluindo três Tony Awards, quatro Drama Desk Awards, três Outer Critics Circle Awards e um Theatre World Award. Atualmente, Miss Saigon já foi apresentado em 25 países e mais de 340 cidades. 

       Miss Saigon é uma turbulenta história de amor entre Cris (Nando Prado),um soldado norte-americano, e Kim (Lissah Martins – ex-cantora do Rouge – e Cristina Cândido), uma vietnamita. Ela, forçada a trabalhar em um pequeno night club de Saigon, é paga para passar sua primeira noite de trabalho com Cris, onde acabam se apaixonando. No auge de sua paixão, o casal resolve se casar no dia seguinte. O que eles não esperavam é que, poucos dias depois, a tropa americana fosse retirada do país levando junto Cris. Porém, Kim, que carrega consigo um filho do soldado (Tam, interpretado por três crianças diferentes) não perde as esperanças de reencontrá-lo, vivendo a cada dia com a força desse amor impossível. Cris, por sua vez, pensando que Kim estava morta, casa-se com Ellen (Kiara Sasso), mas mantém a vietnamita viva em seus sonhos até que descobre a existência do pequeno Tam.

       O musical deixa a platéia dividida entre choros e risos, pois além dessa emocionante história de amor, a peça conta com um toque de humor dado pelo Engenheiro (Marcos Tumura), o debochado e ambicioso dono do night club, que está disposto a fazer qualquer coisa para conseguir um visto para entrar nos Estados Unidos e viver o famoso american dream.

       Apesar de não trazer um helicóptero para dentro de cena como em outros países, o Miss Saigon brasileiro não deixa a desejar. O musical prende a atenção dos espectadores de tal forma que a simulação beira a realidade.

       Além da excelente atuação dos atores e do exime cenário, o musical também conta com uma grande orquestra ao vivo, dirigida pelo maestro Miguel Briamonte, responsável pela trilha sonora. Essa, que não é visível à audiência, traz ainda mais vida para peça.

       Para que tudo isso seja possível, Miss Saigon usa por apresentação 50 toneladas de cenário, 336 sapatos, 500 figurinos, 60kg de gelo seco, 18 músicos, 42 atores, e mais de 80 pessoas trabalhando no back-stage, totalizando um investimento de US$ 12 milhões.

Miss Saigon ficará em cartaz no Teatro Abril por tempo ilimitado.

Local: Teatro Abril – 1.533 lugares (av. Brig. Luís Antônio, 411, Bela Vista) 

Apresentações: Qua. a sex.: 21h. Sáb.: 17h e 21h. Dom.: 16h e 20h

Ingressos: R$ 65 a R$ 200

Tempo: 140 min.    Classificação: 12 anos

 

por Natalia B. Mazzolani

Fontes: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u309852.shtml

http://www.miss-saigon.com/

“Um pouco menos de conversa, um pouco mais de cover”

Mesmo após 30 anos após a morte do rei do rock, covers de Elvis ainda estão em alta

A profissão mudou, mas os topetes ficaram. Renato Carlini, ex-cabeleireiro de São Paulo, SP, agora tenta a carreira como cover de Elvis Presley. E foi participação inédita de um cover brasileiro na Elvis Week, comemorada em homenagem ao aniversário de morte de Elvis presley em Graceland, residência oficial do rei do rock.                                                               

 Carlini, 35, foi eleito o melhor Elvis cover da América Latina após passar por uma difícil seleção promovida pela Elvis Presley Enterprises, empresa que cuida da “imagem” e negócios relacionados ao Rei do Rock. Foi para Memphis, Tennessse, representando os países latino-americanos. “Participar dessa celebração foi a maior conquista que eu imaginava alcançar..,foi uma experiência incrível, e uma emoção muito grande, inesquecível” diz, sobre a apresentação em que havia cerca de 4000 pessoas.Carlini diz já estar satisfeito com o sucesso que vêem alcançando. Além disso, tem sido convidado a fazer participações em de programas de TV, e está com a agenda lotada de eventos para os quais fora contratado.Entrevistamos Carlini ontem à noite (29/09/2007), por telefone.

Isabella Ortega – Quando você começou a ouvir Elvis?

Renato Carlini – Há mais ou menos uns sete anos atrás, o que me chamou atenção foi um especial da Band , no qual assisti à filmes e trechos de shows. Desde então, pode-se dizer que foi amor à primeira vista, não tem explicação, me encantei com sua música.  

Ortega – O que te motivou a iniciar carreira como cover do Elvis Presley?

Carlini – Quando eu cantava as músicas do Elvis em karaokês, as pessoas falavam do meu visual, que eu me parecia com ele. Então eu comecei a pesquisar sobre o mercado de trabalho de covers e descobri que havia uma boa procura para esse tipo de mercado.

Ortega – Por que Elvis entre tantos outros ícones da música?

Carlini – É difícil explicar o porquê, mas Elvis se diferencia por seu visual, a costeleta, o topete, as roupas usadas por ele. Além disso, ele é o artista mais popular do mundo e existe um grande campo de trabalho para covers, principalmente, do Elvis. Ou seja, juntou tudo, a fome com a vontade de comer.

Carlini ainda irá participar do documentário Remember the King , uma produção independente de Carolina Moretton  e Carla Maiomonis, sobre os covers brasileiros de Elvis Presley. A estréia do documentário está prevista para entre dezembro e janeiro de 2008, para tentar coincidir com o aniversário de nascimento do Rei do Rock. Algumas promos do documentários já estão no you tube.

   

 Por Isabella Ortega, Carlos Oliveira e Alfredo Araújo

Só daqui a dois meses……

        Marcando os 5 anos do evento Björk, Arctic Monkeys, The Killers, Cat Power e Neneh Cherry (com sua deliciosa voz), são só algumas das inúmeras atrações do Tim Festival deste ano. Entre 25 e 31 de Outubro, os shows acontecerão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Vitória.         Em São Paulo, o auditório do Ibirapuera e a Arena Skol Anhembi servirão de palco para os artistas; em Vitória, as apresentações serão no teatro da UFES; no Rio o evento será na Marina da Glória; e em Curitiba, na pedreira Paulo Leminski.       

        Para os adoradores do Jazz, alguns nomes como Cecil Taylor, Joey DeFrancesco Trio e Bobby Hutcherson são promessas do evento. Até então, na lista de confirmados: a islandesa Bjork, The Killers, Juliette & The Licks, Arctic Monkeys, Girl Talk (projeto solo do produtor americano Gregg Gillis); a cantora canadense Leslie Feist; a cantora e compositora Cat Power; o saxofinista Joe Lovano; o russo Eldar (pianista de apenas 20 anos); o grupo americano Antony and the Johnsons; o pianista e compositor Craig Armstrong (autor de trilhas sonoras para cinema como “Romeo & Juliet” e “Moulin Rouge”); o grupo sueco cirKus (de Neneh Cherry); o duo americano de hip hop Spank Rock; e o pianista e compositor americano Cecil Taylor.Curiosamente, Killers, Juliette e Arctic Monkeys se apresentarão pela primeira vez em terras tupiniquins.

        The Killers e os britânicos do Arctic Monkeys juntaram-se há mais ou menos uns cinco anos, e conseguiram conquistar seu espaço no rock alternativo. Seus discos já venderam milhões e suas musicas reinam nas primeiras paradas. Já Juliette Lewis, atriz hollywoodiana, também canta. E não é de se jogar fora. Tem atitude rock’n roll nos palcos, não por acaso já fez backing vocal pro Motörhead e abriu os shows do Foo Fighters, convidada pessoalmente por Dave Grohl, vocalista da banda. Para os que gostam de dance music, a madrugada será a melhor hora: DJs de funk como MC Gringo, Diplo e Dj Marlboro fazem a pista ferver. Disco, electro-rock e mash-up também terão seus representantes: Lindstrom, Spank Rock e Girl Talk.

        Os preços dos ingressos ainda não foram definidos pelos organizadores, mas as vendas começam 3 de setembro, próxima segunda-feira. Na grande São Paulo, os postos de venda estão localizados no auditório do Ibirapuera, Citibank Hall, Teatro Abril, Fenacs Morumbi, Pinheiros e Paulista, nas livrarias Saraiva e Siciliano. 

       

        Se Iggy Pop usasse saias……… 

       

        Juliette and The Lick- Shelter Your Needs

        

Samba ou Fantasia?

Não há motivo para ficar em casa no próximo final de semana. Duas festas prometem agitar a noite dos estudantes da PUC-SP. 

“Chegou a turma do funil…” Na sexta-feira (31/08), a Bateria do Pucão, formada pelos alunos de comunicação, convida a todos para o Samba do Cachorro Lôco!

A primeira edição da festa, que será realizada pela A casa da Sogra! produção e eventos, contará com a música da banda Zazuera Clube, DJ Lenny e da própria anfitriã.

Estima-se que cerca de 500 pessoas compareçam ao evento open bar (Smirnoff, Jurupinga, Itaipava, refrigerante e água).

Os pontos altos da festa prometem ser o Concurso Miss Rainha da Bateria e o Campeonato do Funil!

Os ingressos estão à venda na Comfil. (H-R$30/ M-R$25).Para mais informações clique aqui.

No sábado (01/09), acontece a 22ª edição da Advogado do Diabo, festa à fantasia realizada pela Atlética 22 de agosto do curso de Direito.

Os DJs Flash e Rafael serão os responsáveis pela música, enquanto os presentes se divertem regados a muita bebida (open bar: Smirnoff, Jurupinga, Skol, refrigerante, H2O e água).

As fantasias prometem ser as principais atrações da noite.

Os ingressos estão à venda no 2º andar do prédio novo.(H-R$40/ M-R$30)

Informações: Aldeia Turiassú – Rua Turiassú, 928, Perdizes. 22h22.

Por Érika Stephan, Fabiana Colombo e Ribeirão 

Ecologicamente correto

O Bellini fica na rua Lopes Neto, no bairro Itaim Bibi. Ele é um bar rústico, com um grande tapume preto que esconde um ambiente agradável e inusitado para a cidade de São Paulo.  

Mas, ele não é apenas um bar descontraído, o dono do estabelecimento se preocupa com a preservação do meio ambiente. Assim, o Bellini mostra estar sintonizado com essa questão. Toda madeira utilizada no bar tem origem de reflorestamento e é certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), que garante que a madeira é ecologicamente sustentável.

O prato mais famoso do cardápio é os mini-hambúrgueres do chef. Não deixe de experimentar.

Por Érika Stephan, Fabiana Colombo e Ribeirão

O primo Basílio contemporâneo

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Como o paradigma sempre aponta, um bom livro jamais será substituído por cenas e imagens. Por mais que o elenco seja divino e o cenário totalmente produzido, os detalhes que a escrita nos proporciona nos concebe a liberdade de imaginar, e sabemos que Eça de Queirós é mestre em detalhes. O seu livro “O primo Basílio” já foi televisionado através de uma minissérie e nesse mês está em cartaz no cinema, ambos dirigido por Daniel Filho. No entanto, quem espera assistir ao filme na esperança de substituí-lo pela leitura da trama, apesar de conhecer os pontos mais relevantes da obra, perde a essência e a profundidade desta.

 

Isso porque o filme foi descontextualizado pelo diretor, que transportou a obra de Lisboa do ano de 1878 para São Paulo, 1938. A mudança de época não seguiu a mudança de mentalidade, e isso fez com que o filme respirasse uma grande superficialidade. A trilha sonora do filme, assinada por Guto Graça Mello, também deixou a desejar, pois ao conferir intensidade às cenas, a música soou de maneira artificial contribuindo assim para o suspense forjado do filme.

O elenco, apesar de ser composto por grandes astros globais, foi fraco. A impressão é a de que ninguém combina com os personagens simbólicos do livro, engendrando assim personagens rasos e pouco desenvolvidos. Eça de Queirós realmente não queria que seus personagens fossem esféricos, pois o cerne da critica é a época em si e seus personagens costumeiros, como, por exemplo, a burguesa sonhadora que lê Gustave Flaubert. Isso perdeu a essência quando o diretor efetuou a mudança de época, afinal, é um outro contexto e outros costumes a serem regidos pela sociedade. A maior crítica ao elenco é a da personagem Gloria Pires, a Juliana da obra. Estranhamente, a personagem acaba realizando um papel “ engraçado” e irônico justamente ao contrário da intenção da obra, que é transferir ao leitor repúdio e medo da mesma.

Enfim, quem não tiver ânimo para ler o clássico de Eça de Queirós vale a pena esperar, ainda este ano, pelo lançamento do DVD da minissérie global, que mostrou maior competência ao transpor o livro às telas. 

Por Patricia Blumberg