Arquivo do mês: setembro 2007

Impressões de um Olhar Distante

Imagem de “Bem-vindo a São Paulo”

A diversidade e os contrastes existentes na cidade de São Paulo serviram como inspiração para a realização do longa-metragem “Bem-vindo a São Paulo”, que busca retratar a maior metrópole brasileira através do olhar estrangeiro.        

A idéia surgiu durante a comemoração dos 450 anos de São Paulo, e foi levada adiante pelo diretor Leon Cakoff, criador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Durante a realização do evento, diretores estrangeiros foram convidados a realizar um curta-metragem com suas impressões sobre a cidade. “Em qualquer lugar é assim. O estrangeiro consegue captar coisas que escapam aos habitantes, porque, afinal, as pessoas não reparam no que faz parte do seu cotidiano”, explica Cakoff.

Composto por 17 curtas de diferentes cineastas internacionais, o filme tem como objetivo observar aspectos de São Paulo sob um ângulo diferente, e mostrar como a metrópole impressiona – para o bem e para o mal – aqueles que não vivem em seu mosaico tão variado de imigrantes, influências e culturas.

Os documentários, que em sua maioria foram feitos não apenas sem orçamento, mas também sem equipe, procuram expor pedaços da diversidade de São Paulo. Interligados pela narração do baiano Caetano Veloso, os curtas receberam carta branca para sua realização, visando a criação de um filme com distintas visões sobre a cidade.

As visões dos cineastas porém, pouco diferem das imagens tão conhecidas pelos paulistanos e tão exibidas pela mídia. Em sua maioria, os curtas reproduzem os mesmos lugares comuns e mostram um olhar semelhante, deixando o filme muitas vezes redundante. Imagens da Praça da Sé, da Avenida Paulista e de ensaios de escolas de samba são freqüentes e nada originais, assim como a emblemática música “Sampa” de Caetano Veloso, recorrida por muitos dos diretores.

O ponto alto de “Bem-vindo a São Paulo” é o episódio dirigido pela brasileira Daniella Thomas, que tem como foco o Elevado Costa e Silva, o popular Minhocão. Ao percorrer o viaduto considerado uma aberração, a cineasta mostra suas pistas congestionadas durante o dia, vazias na madrugada e ocupada por pedestres no domingo. Os poucos minutos são dotados de muita sensibilidade, e responsáveis por fazer o filme valer a pena.  

Gênero: Documentário

Classificação Etária: 12 anos

Ano: 2004

País: Brasil

Duração: 100 minutos
Roteiro: Leon Cakoff

Música: André Abujamra

Produção: Renata de Almeida, Leon Cakoff

Diretores: Phillip Noyce (Austrália); Renata de Almeida (Brasil); Mika Kaurismäki (Finlândia); Kiju Yoshida (Japão); Jim McBride (EUA); Hanna Elias (Palestina); Maria de Medeiros (Portugal); Tsai Ming-Liang (Taiwan); Ash (EUA); Mercedes Moncada e Franco de Peña (México/ Venezuela); Andrea Vecchiato (Itália); Max Lemcke (Espanha); Amos Gitai (Israel); Leon Cakoff (Brasil); Daniela Thomas (Brasil) e Wolfgang Becker (Alemanha).

Por Adriana Boghosian

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Um Musical de Peso!

Cenas do Filme.

“Hairspray- em busca da Fama” que estreou no último 21 de setembro nos cinemas do Brasil tem como atrativo principal a participação ousada de John Travolta, que aparece, desta vez, vestido de mulher e com muitos enchimentos para interpretar Edna Turnblad, mãe de Tracy, uma menina que apenas sonha em ser famosa e feliz.

O filme estrelado por Travolta e pela jovem atriz Nikki Blonsky, que encena Tracy, é uma refilmagem da comédia musical de 1988 de John Waters, que virou musical da Broadway em 2002 com o mesmo nome. No cinema, Hairspray foi montado por Adam Shankman, também diretor de “A Casa Caiu” (2003).

O musical cinematográfico é ambientado na cidade de Baltimore, e se passa no ano de 1962. Os cenários foram bem reconstituídos e estão em acordo com um figurino bastante característico da época. O enredo gira em torno de Tracy Turnblad, a adolescente baixinha e gordinha que sonha em ser uma das dançarinas do programa de maior sucesso entre os jovens, o The Corny Collins Show. Suas medidas, no entanto, não são nada apropriadas para o programa, o que aparentemente não faz com que a jovem perca as esperanças.

A mãe de Tracy, Edna, faz de tudo para que a filha desista desse sonho, temendo que ela se machuque por ter, assim como a mãe, um corpo “fora de padrão”. Mesmo assim, Tracy não desiste, e, ao tentar passar no teste, é humilhada pela diretora da TV, interpretada por ninguém menos que Michelle Pfeiffer, e por sua filha, Amber, vivida pela linda Brittany Snow. A cria de Amber é uma das atrações principais do show e, por ser protegida pela mãe, é odiada por vários integrantes do grupo.

Mesmo após ter sido reprovada no teste, a gorduchinha continua com o ideal de dançar no programa e, enquanto cumpre um suspensão escolar, conhece vários alunos negros, com quem aperfeiçoa seu gingado e cultiva novas amizades. Ambientado na década de 60 o filme mostra claramente o racismo declarado que existia na época, e mostra os dançarinos negros que, por mais que dançassem bem, nunca eram selecionados para o The Corny Collins Show. A eles apenas restava uma megera aparição no dia intitulado “Dia do Negro”.

Nesse dia havia apenas negros no palco e era Motormouth Maybelle, vivida pela majestosa Queen Latifah, que apresentava o programa. Tracy no entanto resolve fazer um passeata contra o “Dia do Negro” e sua mãe Edna também acaba se envolvendo com o projeto. Tracy e a mãe desejam impor fim ao preconceito outorgado sobre os negros no programa e na sociedade e para isso começam um movimento que promete enlouquecer os diretores do programa.

O filme, recheado com falas eventuais apenas, tem um enredo muito agradável, um elenco brilhante e musicas que acabam contagiando. Uma das melhores cenas é a tão aguardada dança de Travolta, usando um vestido de lantejoulas vermelho. Nela, ele mostra que apesar de seu 53 anos, continua com um gingado invejável. O pai de Tracy, e marido de Travolta, também se adequa ao ritmo do musical da Broadway. Wilbur – interpretado por Christopher Walken – é o dono de uma loja de truques (“Riso Solto”), talvez por sua alegria, seja um dos maiores incentivadores de que Tracy fosse atrás dos seus sonhos.

O filme está longe de ter um cunho político apesar das críticas feitas pela não aceitação daquilo que é diferente do padrão e a forte presença do racismo no enredo. Tudo é muito colorido, musical e belo e acaba contagiando muito mais pelo ritmo, do que pelas letras que são cantadas. O longa é garantia de boas risadas e uma volta agradável aos anos dourados. Não é todo dia que John Travolta decide rebolar as lantejoulas.

Brasil e Portugal.

Gênero: Comédia

Tempo: 120 min.

Lançamento no Brasil: 21/09/07

Classificação: Livre

Distribuidora: Playarte

Site Oficial: www.hairspraymovie.com

País de Origem: EUA

Estrelando: John Travolta, Nikki Blonsky, Amanda Bynes, Christopher Walken, Zac Efron, Elijah Kelley, Queen Latifah, Michelle Pfeiffer, Brittany Snow, James Marsden, Allison Janney, Taylor Parks, Jesse Weafer.

Dirigido por: Adam Shankman

Produzido por: Neil Meron, Craig Zadan

MAIS sobre Hairspray

* O filme foi lançado em 27 países diferentes. Um dia antes de estrear nos EUA (20/07) teve sua estréia em Porto Rico. O Brasil foi um dos últimos países a receber o filme, à frente apenas da Itália (estréia hoje) e do Japão (20/10).

* A recriação do musical da Broadway interrompeu as gravações de outro musical, o High School Musical 2, justamente por ter em seu elenco o galã-mirim da produção infanto-juvenil, Zac Efron.

* Durante o filme, 23 canções são apresentadas, sendo que duas delas tem uma reprise durante a trama.

* O logo do filme ganhou uma versão que é bastante semelhante ao logo oficial da peça, embora outras partes do filme pouco tenham em comum com a versão original de Hairspray.

Por Júlia Couto e Pedro Durán Meletti 

Fim do Mistério : Olavo é o assassino de Taís

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Desde dia 31 de agosto, a morte da personagem Taís (Alessandra Negrini), passou a ser o principal mistério de Paraíso Tropical, e monopolizar as atenções dos telespectadores.

A repercussão foi estrondosa como sempre, como manda uma boa novela de Gilberto Braga, em que os crimes só são desvendados no último capítulo, e acertar o assassino é uma verdadeira loteria, já que o autor faz de tudo para confundir a cabeça do telespectador e deixá-lo em dúvida.

O mistério acabou nessa sexta feira (28/09), em que o último capítulo da trama foi ao ar, e para surpresa da maioria o responsável pelo assassinato da irmã gêmea de Paula foi Olavo (Wagner Moura).

Maior vilão da novela, Olavo, não era a aposta principal do público, pelo menos é o que mostra os resultados das enquetes virtuais, e do inúmeros bolões feitos em escritório de trabalho, salões de belezas, escolas, rodas de amigos. O culpado, ou melhor, a culpada para esses era Marion (Vera Holtz), mãe de Olavo. O segundo lugar nas apostas ficava com Ivan (Bruno Gagliasso), que até então todos acreditavam ser irmão de Olavo.

A família toda era suspeita, mas Olavo foi esquecido pelo público, devido a brilhante jogada de Gilberto Braga de entrelaçar os crimes anteriores, o que só aumentou a confusão na cabeça dos fãs da trama.

Mas, o que levou Olavo a cometer o crime? A resposta é simples, sua ganância. Seu pai pouco antes de morrer revelou somente para ele, que Ivan tinha sido adotado, e que na verdade era filho de Antenor (Tony Ramos) com uma ex-empregada, porém nem Ivan e nem Antenor, sabiam o grau de parentesco que os uniam. Olavo não contou nada para ninguém, porque deseja obter toda a herança do “irmão”.

Então, arquitetou todo um plano em sua cabeça. Era preciso primeiro matar sua mãe, Marion, depois Antenor, e em seguida Ivan, assim seria o único herdeiro, pois quando deu um táxi para o irmão, Olavo fez ele assassinar um documento, em que ele lhe deixava tudo o que tinha em seu nome, e Ivan nem desconfiava da fortuna que era dono. E para o crime perfeito, simularia ainda um atentado contra ele mesmo, no qual o seu futuro sogro acabou sendo a vitima, assim nunca seria suspeito.

Taís não estava entre as vitimas de Olavo, mas passou a ser um obstáculo, quando ela descobriu tudo, após ouvir uma conversa escondida de Olavo e Jader (Chico Diaz), e acabou sendo envenenada e não asfixiada pelo gás, como até então se acreditava. Tudo um belo golpe de Olavo.

Porém, tanto esforço foi em vão. Olavo acabou sendo desmascarado e morto por Ivan, depois de confessar todos os seus crimes, mas antes do suspiro final, o grande vilão conseguiu acertar um tiro em Ivan, matando-o também. Se seu plano não tinha dado certo,não era Ivan que levaria a grana de Antenor.

Gilberto Braga mais uma vez surpreendeu, optou pelo mais obvio e ao mesmo tempo inesperado, pelo vilão desde o inicio da novela.No fim, a maior revelação foi a paternidade de Ivan, que motivou os crimes, pela qual ninguém esperava.

A fórmula do autor realmente faz sucesso, a média de audiência do último episodio, foi de 56 pontos. Qual será o próximo mistério a ser desvendado?? É só esperar a próxima trama de Gilberto Braga.

Por Aline Küller

Outros assassinatos em novelas do Gilberto Braga

E hoje descobrimos quem foi que matou a Taís, como vocês viram no post da Aline acima.

Gilberto Braga adora esse tipo de coisa. Não tem novela dele em que alguém não seja assassinado misteriosamente – ou, quando isso não acontece, é outro mistério que sacode a trama. Novelas repetitivas ? Talvez, mas quase sempre fazem sucesso.

1. Quem matou LINEU VASCONCELLOS ?
Lineu (Hugo Carvana)
Laura, a cachorra (Cláudia Abreu)
O grande chefe do Grupo Vasconcellos, em Celebridade (2004) foi morto pela Cachorra Laura (Cláudia Abreu), que queria chantageá-lo oferecendo documentos comprometedores sobre o concurso da Musa do Verão, que, por conseqüência, destruiriam a vida da protagonista Maria Clara Diniz (Malu Mader). Só que Lineu já tinha esses documentos, e a Cachorra, sem saída, meteu a bala no velho. O certo esforço da equipe de autores em garantir a coerência da trama com certeza decepcionou o público: Laura já era a grande vilã da trama – assim como Olavo, em Paraíso.

2. Quem matou o BARÃO DE SOBRAL ?
Barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria)
Baronesa Bárbara, a louca (Denise del Vecchio)
Este foi o grande mistério da novela Força de um desejo (1999), atração de época das 18h. O principal suspeito era Inácio (Fábio Assunção) – filho do Barão Sobral (Reginaldo Faria) – que na noite da morte fugira com a amante Ester (Malu Mader). Depois de idas e vindas na trama, inclusive com a prisão de Inácio, descobre-se que quem matou Sobral (e mais três pessoas) foi a tresloucada Baronesa Bárbara (Denise Del Vecchio), mulher do vilão Higino Ventura (Paulo Betti), que era apaixonado na verdade pela falecida Baronesa de Sobral (Sônia Braga), também morta por Bárbara, por ciúmes. Quando Bárbara sabe que Sobral descobriu a história, mete bala nele antes que Sobral chamasse a polícia. A Baronesa Bárbara, no final, termina totalmente louca.

3. Quem matou OTACÍLIO FRAGA ?
Ricardo Velasco (Antônio Fagundes)
Otac�lio Fraga (Paulo José)
Este foi o grande mistério da minissérie Labirinto (1998). Otacílio (Paulo José) era morto no primeiro capítulo, e todas as suspeitas recaem em André (Fábio Assunção), por obra do perverso Ricardo Velasco (Antônio Fagundes). No final, o assassino é quem menos se esperava: Júnior (Marcelo Serrado), cansado da indiferença paterna.

4. Quem matou ODETE ROITMAN ?
Esse mistério já virou tão clássico que chega ser até curioso descobrir que durou menos de duas semanas. Afinal, ninguém aqui deve ter assistido Vale Tudo, de 1988. Odete Roitman (Beatriz Segall) foi misteriosamente assassinada na noite de Natal de 1988. No dia 6 de janeiro de 1989, o país parou para descobrir que a autora do assassinato era Leila (Cássia Kiss). O motivo foi ainda mais surpreendente: Leila queria matar Maria de Fátima (Glória Pires), a grande vilã da novela, amante de seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria). Leila chega atordoadíssima no escritório de Marco, vê um vulto por perto e atira, crente que mataria Fátima. Só que era Odete. O mistério rendeu concursos e bolões por todo o país – o principal foi o do caldo de galinha Maggi, vencido por uma menina de 12 anos que ganhou uma boa quantia apostando em Leila.

5. Quem matou MIGUEL FRAGONARD ?
Miguel Fragonard (Raul Cortez) e sua filha Sandra (Glória Pires)

Água Viva, produzida no jurássico 1980, foi a segunda novela de Gilberto Braga no horário das 8 (antes, Dancin´Days, em 1978). A novela era protagonizada por Betty Faria, que vivia Lucia, que buscava sua filha perdida (a  então menina Isabela Garcia). Na trama, Miguel (Raul Cortez) era o cirurgião plástico mais requisitado do Rio de Janeiro. É morto por Kleber (José Lewgoy), amigo da família Fragonard, e que fora tutor do irmão de Miguel, Nelson (Reginaldo Faria). O motivo ? Miguel descobriu que Kleber, um falido, tinha se apropriado indebitamente da herança do pai de Nelson (que não era o mesmo de Miguel). Kleber, acuado, matou o cirurgião.

por Danilo Rodrigues

A esquina da boemia paulistana

                          

O Bar Brahma foi fundado no ano de 1948 pelo alemão Heinrich Hillebrecht, em uma das esquinas mais famosas do Brasil, a Ipiranga com a Av. São João, antigo local da boate e confeitaria Marabá. O Bar atingiu seu auge nas décadas de 1950 e 1960, sendo freqüentado por personalidades como: Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Adoniran Barbosa e Ari Barroso.

Devido à degradação do centro urbano, o público se transferiu para regiões consideradas mais seguras, o que fez o ponto entrar em declínio e ser fechado. Houve uma tentativa de reabertura em julho de 1997 com o nome de São João 677, mas, fracassada, não chegou a completar um ano.

Só no ano de 2001, após uma restauração que visava recuperar no bar as características da época de seu auge, ele reabriu com o nome de Bar Brahma.   Atualmente, o bar possui um espírito boêmio, e tem como principais atrações o chopp Brahma e shows para todos os gostos, como MPB, bossa nova, samba, chorinho, rock internacional, estilo jovem guarda e jazz. O cantor Cauby Peixoto, que interpreta os sucessos de seu repertório como Conceição, já faz parte da história da casa.

Ficou com vontade de conhecer o lugar? Esteja preparado para gastar. O couvert pode chegar a R$45,00.

Reservas podem ser feitas pelo site, ou pelo telefone:3333-3030 

Programação: 

  • Segunda-feira: Flávia Menezes e Banda

  • Terça-feira: Aline Jordão – MPB – Voz e violão; e Aline Muniz – MPB e Bossa nova

  • Quarta-feira: Aline Muniz – MPB E Bossa; OS VIPS – JOVEM GUARDA DRI VALLEJO

  • Quinta-feira: Varanda Paulista (Chorinho); Demônios da Garoa; e Cris Oliveira – Voz e Violão

  • Sexta-feira: Angélica Sansone voz e violão; Vanessa Jackson – MPB E SOUL RITHYM BLUES  (DE CAYMMI A RAY CHARLES); e Brazuka Black com Angélica Sansone

  • Sábado: Feijoada Tradicional Flávia Menezes – SOUL E MPB; e JOE ROBERTS AND FRIEND’S – ROCK INTERNACIONAL ANOS 80 

  • Domingo: Trio Muzikando; e Dri Vallejo – Voz e Violão

Por Érika Stephan, Fabiana Colombo e Ribeirão 

Mídias, máfias e rock n’roll, Cláudio Júlio Tognolli

Mdia, máfias e rock n'roll - Claudio J.Tognolli

por Danilo Rodrigues

Cláudio Júlio Tognolli, como vocês devem saber, é o convidado da aula do Arbex no próximo dia 25.
Jornalista, 43 anos, formado na USP, trabalhou em quase todos os veículos da dita “grande mídia”, como a Folha de S.Paulo, a revista Época e muitos outros. Atualmente faz “frilas” para o site Consultor Jurídico, do Estadão, e para a revista Galileu, além de ser professor do curso de Jornalismo da ECA-USP. Já escreveu vários livros sobre a prática jornalística, entre eles o vencedor do Prêmio Jabuti 1996 (categoria reportagem) O século do crime , com um tal de José Arbex Jr. (conhecem ?).

Não causa espanto a pífia divulgação que Mídias ,máfias e rock n’roll tem tido desde que foi lançado (em março último), pois mexe em feridas bem desagradáveis, como a grande influência de empresários como os famosos Daniel Dantas e Nélson Tannure têm sobre as pautas da imprensa, ou os podres da invasão brasileira no Haiti e os esquemas obscuros feitos pelo governo para libertar o corpo do engenheiro brasileiro seqüestrado no Iraque. Tudo a partir da própria experiência como repórter investigativo.

Tognolli também entra na seara das teorias do jornalismo, sem, no entanto, ser chato. Fala-se de ética na imprensa, editorialização, espetacularização da mídia, entre outros assuntos de importância para nós, estudantes e interessados no jornalismo. O “guru” de Tognolli, Timothy Leary (o “pai” do LSD) é sempre citado, também. Serve para conhecer melhor como pensava essa figura deveras bizarra.

Só não recomendo “Mídias” para quem ainda tem alguma ilusão a respeito do jornalismo, porque serão perdidas logo no início da leitura. A “moral” do livro, se é que existe, seria “jornalismo é igual salsicha: se todos soubessem como é feito, ninguém comia”.

SERVIÇO
Mídias, máfias e rock n’roll , Cláudio J.Tognolli
Editora do Bispo – R$ 38,00

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Órfão de Deus ganha espaço novamente nas telas cinematográficas

Cenas do filme.

 

    Quem lê ligeiramente a sinopse do filme não se surpreende. Querô, menor abandonado, filho de prostituta e pai desconhecido, perambula de um lado para o outro pelas ruas santistas. Vive de expedientes e envolve-se em pequenos roubos que o faz parar na Febem, lugar onde o menino tem uma explosão de sentimentos contra o mundo que o faz repensar nas suas atitudes e se transformar em alguém melhor. A intensidade e a extrema realidade com que é retrata a história, porém, enaltecem o roteiro e fazem do filme uma grande obra prima. Aliás, o roteiro não é exclusividade do diretor e psicólogo Carlos Cortez, que inclusive estréia nesse filme como diretor de longa-metragens de ficção; a história de Querô foi retirada do livro ” A reportagem maldita-Querô“, de Plinio Marcos, que ganhou o prêmio de melhor romance em 1976 pela Associação paulista dos Críticos de Arte. Não é a primeira vez que um romance de Plínio Marcos ganha espaço nas telas, pois seu livro Barra Pesada foi dirigido no cinema por Reginaldo Faria em 1977.

    O diretor, no entanto, não precisou fazer grandes modificações, pois embora o livro tenha sido escrito há mais de 30 anos, a situação do menor abandoQuerônado e o descaso retratado pelo escritor não mudou muito nessas décadas. O interessante é que Carlos Cortez conseguiu transpor às telas seu conhecimento na área de psicologia, pois a personalidade dúbia que transferiu ao ator principal, Maxwell Nascimento, fez com que este alternasse seu caráter em momentos de delicadeza e ódio, exatamente como Plínio Marcos queria atingir em seu livro, momentos de adoração e repúdio ao menor abandonado.

    Maxwell foi o grande destaque do filme, pois realmente parece carregar no olhar sofrido as cicatrizes acumuladas pelo personagem ao longo de sua complicada e complexa trajetória. Para atuar, o jovem teve que participar de uma oficina, assim como o resto do elenco, e passar por diversas seleções.

    As oficinas Querô são um programa de capacitação em produção audiovisual que estimula a ação empreendedora e o desenvolvimento de valores de cidadania. Vale a pena conferir o site . Há também o blog onde os diretores, a produção e o elenco contam suas experiências e novos projetos.

    Vale muito a pena assistir ao filme que, embora esteja distribuído em apenas 18 salas com 11 cópias, não remete mais uma vez à história da miséria social. Retrata o percurso intenso e complexo do psicológico de um menino, de olhar violento, tão distante e ao mesmo tempo próximo de nós.


Gênero: Drama
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Estúdio.: Downtown Filmes
Direção: Carlos Cortez

Site Oficial : http://www.queroofilme.com.br/site.htm


Elenco:
Leandro Carvalho (Bolacha Preta)
Eduardo Chagas (Sabará)
Milhem Cortaz (Sr. Edgar)
Nildo Ferreira (Mosca)
Ailton Graça (Brandão)
Cláudia Juliana (Gina)
Ângela Leal (Violeta)
Giulio Lopes (Delegado)
Sílvia Lourenço (’Autoridade’)
Igor Maximilliano (Tainha)
Maria Luisa Mendonça (Piedade)
Maxwell Nascimento (Querô)
Eliseu Paranhos (Nana)


 

Por Patricia Blumberg