Arquivo do mês: novembro 2007

O Sistema

Lançada com pouca divulgação (a Globo preferiu concentrar suas forças na estréia da nova novela das 18h, Desejo Proibido), a série O Sistema obteve apenas 15 pontos na sua estréia, ocorrida nasexta-feira, dia 02. O esperado era, no mínimo, 25.
A impressão é que O Sistema é um biscoito muito fino para o povo em geral, que ri com o Zorra Total. A série, escrita pelo casal Fernanda Young e Alexandre Machado, os mesmos de Os Normais, Os Aspones e Minha Nada Mole Vida. Protagonizada pelo fonoaudiólogo Matias (Selton Mello), homem estressado que é constantemente bombardeado por operadores de telemarketing. Quando destrata uma delas, Regina (Graziella Moretto), ela resolve se vingar excluindo Matias de todos os cadastros a que tem acesso, “anulando” sua existência dentro do tal sistema , sem rosto e sem nome mas que a todos controla. Para o nível Zorra, O Sistema oferece muita complexidade, numa narrativa ágil, rápida e repleta de referências externas.
Além da peculiaridade do roteiro, que em alguns momentos pode ser considerado um tanto over, a série ainda com a presença da atriz Maria Alice Vergueiro. Vergueiro se tornou praticamente ídolo após protagonizar o vídeo “Tapa na Pantera”, hit de acessos no site YouTube – aludido diversas vezes durante a série.
Claro que ter estreado em pleno feriado e com pouca divulgação não poderia ter um bom resultado – mas também não se esperava uma audiência tão ruim, chegando a perder da Record em alguns momentos.
Ainda restam mais seis episódios de O Sistema, de acordo com o esquema atual de temporadas da segunda linha de shows global.

Em tempo: o segundo episódio de O Sistema manteve a baixa audiência.

por Camila Belotti e Danilo Rodrigues

Mistura de realidade e ficção

 

Nessa sexta-feira (9 de novembro) estreou o filme Jogo de Cena. O filme mistura documentário e ficção, confundindo o espectador entre o que é real e o que é interpretação.

O cineasta Eduardo Coutinho é conhecido por um estilo que procura a maior naturalidade possível dos entrevistados e a menor interferência do diretor. Exemplos disso são os premiados “Santo Forte” (1999), “Edifício Master” (2002) e o clássico “Cabra Marcado para Morrer” (1985). Em Jogo de Cena o diretor não deixa a desejar, traz histórias reais com uma pitada de interpretação.

Iniciando-se como cineasta com a ficção “O Homem que Comprou o Mundo” (1967), Coutinho volta a escalar atores num trabalho, coisa que faz pela primeira vez num documentário.

A partir de um anúncio em um jornal popular do Rio de Janeiro, algumas mulheres foram selecionadas para contar algum episódio de sua vida. Em um teatro (Teatro Glauce Rocha), de costas para a platéia vazia e de frente para o documentarista Eduardo Coutinho, cada uma delas falou para as câmeras sobre um momento marcante que achava que valia a pena divulgar no filme. São personagens variadas, desde uma atriz lésbica do Nós do Morro, até uma senhora de origem turca.

As histórias, porém, são contadas duas vezes. Uma pela mulher que viveu o fato, e a outra por uma atriz que interpreta aquele momento. Através desse Jogo de Cena criado por Coutinho, o público pode comparar os depoimentos, tentando descobrir quem é real e quem é fictício.

Curiosidades:

·         O documentário conta com a participação de Marília Pêra, Fernanda Torres e Andréa Beltrão.

·         No total, 83 mulheres responderam ao anúncio. Destas, foram selecionadas 23, que gravaram no Teatro Glauce Rocha.

·         Para contribuir com o sentimento de incerteza do espectador, o cineasta pediu às atrizes que acrescentassem fatos reais de suas vidas pessoais no depoimento.

Diretor: Eduardo Coutinho
Elenco: (documentário)
Nome Original: Jogo de Cena
Ano: 2006
País: BRA
Duração: 105 minutos

Confira o Trailer:

Por Lyvia Squadrans

Se pá, é a adolescência


Se pá…Pop

Aclamado em uma nota no Estadão como “As novas confissões de adolescente”, o documentário seriado Se pá, no Youtube, apresenta uma proposta interessante: aproveitando o contexto de uma festa, um pequeno grupo de adolescentes (atente para a escolha de cada entrevistado) de um colégio de elite paulistano “conversam” sobre os mais variados assuntos – o mundo pop, amor, política, religião, adolecência, amigos, família e até…água! Cada capítulo, com no máximo alguns minutos de duração, trata de um tema, em que grupo de amigos, todos por volta dos quinze-e-poucos anos, falam o que pensam, sentem e agem.

Ou pelo menos, é o que somos levados a pensar, apesar de restar uma dúvida em relação à veracidade dos relatos e à amizade entre os jovens entrevistados. Além das limitações de tempo,que já deixam os vídeos um tanto superficiais, há um ar de teatralidade que limita o documentário. Agora, se essa teatralidade resulta da forma como o documentário foi feito, ou simplesmente do “fator” adolescente, não há como saber.

O documentário é um projeto do “videomaker” Dácio Pinheiro, que já trabalhou como programador na HBO-Brasil, e hoje é uma presença freqüente no circuito de festivais de curtas.

por Georgia Jordan

Os vencedores da 31ª Mostra Internacional de cinema de São Paulo

        

     Após duas semanas de efervescência cinematográfica e cultural, encerrou-se na noite do dia 1 de novembro a 31ª Mostra Internacional de cinema de São Paulo, com uma cerimônia de premiação realizada no Memorial da América Latina. A premiação foi apresentada por Serginho Groisman e Marina Person e foi seguida por uma exibição especial do novo filme dos irmãos Coen, “Onde os Fracos não têm vez”, pela primeira vez no Brasil.        

     Pelo terceiro ano consecutivo um filme brasileiro – ao menos em parte – ficou com o principal prêmio da noite. “O Banheiro do Papa”(co-produção entre Brasil, Uruguai e França), dirigido por Cesar Charlone (diretor de fotografia de “Cidade de Deus”) e Enrique Fernández, foi eleito o Melhor Filme pelo Júri Oficial da Mostra. O júri apontou que o filme apresenta “autenticidade na descrição da luta pela sobrevivência dos mais humildes”. O mesmo prêmio foi dado aos filmes brasileiros “Cinema, Aspirinas e Urubus”, em 2005 e “O Cheiro do Ralo”, em 2006.        

     Charlone lembrou do esforço e da colaboração de cada um para o sucesso do longa ao subir no palco ao lado de alguns companheiros de filme. “Como um uruguaio bem brasileiro que sou sempre quis compartilhar a visão do Uruguai que eu conheço com aqueles que me cercam”, agradeceu o diretor. O filme é oescolhido para representar o Uruguai na competição para indicações ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.        

     O júri concedeu ainda outros quatro prêmios para longas-metragens. O longa polonês “Truques“, de Andrzej Jakimowski ganhou o Prêmio Especial. O de melhor atriz foi para a brasileira Carla Ribas, por “A Casa de Alice“. “Transformaram Nosso Deserto em Fogo“, de Mark Brecke o de melhor documentário. E o de revelação foi para o venezuelano “Postales de Leningrado“, de Mariana Rondon, que também ficou com o troféu do público do Festival da Juventude (concedido por estudantes do ensino médio.        

     A Questão Humana“, do francês Nicolas Klotz, venceu o prêmio da crítica, votado por críticos e repórteres da Folha. E o homenageado com o Prêmio Humanidade foi o cineasta israelense Amos Gitai.           

     O júri popular elegeu cinco longas-metragens. “Into the Wild” (EUA) e “Persépolis” (França) foram consideradas as melhores ficções estrangeiras. “Pindorama A Verdadeira História dos Sete Anões“, de Roberto Berliner, Leo Criverale e Lula Queiroga, foi o melhor documentário brasileiro e a melhor ficção nacional foi “Estórias de Trancoso“, de Augusto Sevá. “O Filme da Rainha“, do argentino Sergio Mercúrio, foi escolhido pelos freqüentadores do festival como melhor documentário estrangeiro.        

     Quase todos os vencedores, os filmes das retrospectivas e mais alguns outros poderão ser vistos na famosa “repescagem” da Mostra, a semana de programação adicional do evento. Esse ano as 86 sessões extras acontecem em duas salas: o Cine Bombril 1 (Conjunto Nacional, av. Paulista, 2.073) e o Cinesesc (r. Augusta, 2.075). A programação pode ser conferida por data.

     A seguir, o trailer do vencedor do festival paulistano, que ainda não tem previsão de estréia comercial no país.

Por Renata Garcia.

CINUSP Exibe Filmes Sobre Ditadura Militar

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A análise privilegiada de momentos históricos que é possibilitada pelo cinema tornou-o uma excelente fonte de entendimento e provocou a produção de diversas obras carregadas com teor cultural – sejam documentários ou ficções que recriam uma determinada época. 

Tendo isso em mente, o cinema da Universidade de São Paulo (USP), o CINUSP “Paulo Emílio” apresenta a mostra “História e Cinema: a pertinência do tema da Ditadura Militar pelas lentes do Cinema”, que teve início na segunda-feira, 29 de outubro, e terminará na quarta-feira 14 de novembro.

A seleção de filmes com a temática da Ditadura Militar, que se restringe a obras produzidas a partir da década 1980 devido à liberdade de abordagem do tema que nela se iniciou, inclui obras como “O que é isso, companheiro?” do diretor Bruno Barreto e “Lamarca” de Sérgio Rezende, assim como o documentário “Hércules 56”, de Silvio Da-Rin, sobre o episódio do seqüestro do embaixador americano no Brasil em 1969.

Além das produções cinematográficas sobre ditadura a mostra inclui ainda debates com os diretores após algumas das exibições, ciclos de debates e seminários com professores da USP e a pré-estréia dos filmes “Meu nome não é Johnny”, “Cabra-cegae “Mutum”.

Fundado em 1993, o CINUSP “Paulo Emílio” é um órgão vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, e tem seu nome dedicado a Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977), escritor, crítico e professor da USP, que configura-se como uma fundamental referência para a reflexão crítica da produção audiovisual brasileira. Mantendo sessões regulares de segunda a sexta, duas vezes ao dia, o CINUSP realiza mostras temáticas em parceria com outras instituições públicas e privadas.

Sala de exibição:

CINUSP “Paulo Emílio”

Rua do Anfiteatro, 181, colméia – favo 04

Cidade Universitária, São Paulo/SP100 lugares

Entrada franca.

Por Adriana Boghosian