Arquivo do mês: maio 2010

Debate mostra principais diferenças entre PT e PSDB

Divergências quanto ao tamanho do Estado, reformas e política externa. 

Por Roni Meireles

Onde está a diferença? 

            Os presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PSDB, Sérgio Guerra, participaram, no dia 10 de maio, de debate promovido pelo Estado de S.Paulo na zona oeste da capital Paulista. Foram discutidas as diferenças ideológicas e programáticas dos partidos, que protagonizam a (pré) disputa eleitoral para o palácio do planalto. Integraram a mesa, além dos presidentes dos partidos, as repórteres Julia Duailibi e Malu Delgado. O debate foi mediado pelo jornalista Roberto Godoy. 

            Embora os discursos e planos dos dois partidos que polarizam a cena política nacional pareçam convergir, nesse debate ficaram claras muitas divergências entre eles, principalmente em relação ao programa de governo. Ficou claro que há discordância entre PT e PSDB em temas como reformas política, previdenciária e tributária. Pelo teor das palavras do senador Sérgio Guerra, a política externa também seria conduzida de maneira diferente pela atual oposição. 

            No anfiteatro do Estadão, sentados lado a lado no palco e assistidos por uma platéia formada principalmente por jornalistas, Sérgio Guerra e José Eduardo Dutra foram sabatinados pelas repórteres que integraram a mesa e pelos expectadores que assistiram o debate no local e pela internet. 

Sérgio Guerra - Presidente do PSDB

            Visivelmente agitado, porém contido, Sérgio Guerra iniciou com a palavra.Fez uma breve síntese da atuação do partido nas últimas duas décadas, lembrando o apoio do PSDB à nova República, ao Impeachmant de Collor em 1992, e ao plano Real em 94, que para ele foi o lançamento da primeira grande plataforma nacional do partido. Reconheceu méritos do atual governo, com a ressalva de que “a construção de hoje é produto de uma evolução de muito tempo e de muitas pessoas, de muitos brasileiros”. Disse que o caminho para o Brasil foi fixado com a definição da política macroeconômica a partir do governo FHC, sendo que o principal mérito do governo Lula foi “ter desenvolvido a política econômica que nós (PSDB) fixamos, os programas sociais que nós inventamos e ter mantido a democracia que nós estimulamos”.

José Eduardo Dutra - Presidente do PT

            Mais calmo e gesticulando menos, José Eduardo Dutra, em seguida, usou a palavra. Relembrou a trajetória do PT desde a sua criação até os dias atuais, salientando a legitimação gradual da legenda perante a sociedade por meio das consecutivas gestões municipais e estaduais que culminaram na eleição do presidente Lula em 2002. Enfatizou que durante toda sua trajetória o partido foi acompanhado com profunda desconfiança pela oposição, que chegou a duvidar de sua capacidade de governar o Brasil. “Naquela época dizia-se que Lula não poderia ser presidente da República porque nunca havia administrado sequer um carrinho de pipoca… hoje chegamos ao oitavo ano de mandato do presidente Lula e ele é o presidente mais aprovado na história do Brasil”. Enfatizou que a candidatura Dilma Rousseff representa a continuidade do governo Lula.

            Questionado sobre a possibilidade de participação do PT no governo PSDB, na hipótese de vitória do candidato José Serra, José Guerra aquiesceu com o aceno do pré-candidato tucano, dado em uma declaração dele à imprensa, segundo a qual poderia convidar pessoas do PT para o seu governo, caso se torne presidente.  Guerra disse que não vê problema na nomeação de políticos do PT para cargos do governo, desde que sejam pessoas competentes e preparadas. 

            Ele afirmou que o PSDB trabalha com a idéia de colaboração, baseada no interesse público, de forma democrática. Citou o exemplo da votação pela extinção da CPMF, em dezembro de 2007, como um dos momentos em que a oposição tentou um acordo com o governo, visando a manter a contribuição, o que não foi possível “devido à falta de sustentabilidade”, à época. Relembrou que o PT, em 2002, buscou nos quadros do PSDB o ministro do BC (Henrique Meirelles), que posteriormente se filiou ao PMDB. Argumentou que a convergência só não é possível para pessoas interessadas no aparelhamento do Estado. Aproveitou para criticar duramente o PNDH3 dizendo que o plano “é contra a liberdade de imprensa, contra a cultura do país, é autoritário, é contra a justiça, é uma contrafação”. Arrancou aplausos da platéia de jornalistas. 

            Na réplica, Dutra lembrou que o acordo em torno da aprovação da continuidade da CPMF, citado por Sérgio Guerra, deveu-se ao interesse de todos os governadores na época de mantê-la, inclusive os então governadores de São Paulo, José Serra, e de MG, Aécio Neves, sendo que a não aprovação da matéria deu-se pela atuação do então líder do PSDB, Arthur Virgílio, que, ameaçando renunciar, se opôs ao empenho do próprio partido de votar a favor da continuidade da contribuição, com o intuito de inviabilizar recursos vultosos dela decorrentes e prejudicar o governo Lula. Rejeitou a possibilidade de tendência ao aparelhamento do Estado no partido dos trabalhadores. Citou o exemplo de que quando assumiu a presidência da Petrobras, em 2003, o cargo de conselheiro de administração de Energia da empresa na Argentina era ocupado pelo ex-deputado Euclides Escaupo, do PSDB, que foi substituído por João Saiad, atual secretário de cultura de São Paulo, também tucano, nome que ele mesmo teria apresentado. 

            A posição quanto ao tamanho e a atuação do Estado configura-se como uma das principais divergências entre os partidos. Além desta discussão, na qual Sérgio Guerra insinuou que o PT pratica o aparelhamento da máquina, surgiu também uma polêmica sobre o fisiologismo, que o tucano criticou no atual governo. Entretanto, a problemática que gira em torno da força e da intervenção do Estado foi tratada apenas indiretamente. 

            Sérgio Guerra disse que o PSDB jamais radicalizou na oposição ao atual governo e reconheceu mesmo que o PT sempre teve bom convívio com seu partido no Congresso, mas cutucou a situação e o presidente Lula por usar a ‘tropa de choque’ – sua base aliada. Para ele isso teria provocado “o aparelhamento do Estado, a desmoralização do Congresso, a redução do papel do Congresso, a república das medidas provisórias, a troca de votos por estrutura, a cooptação e o mensalão”. 

            Dutra rebateu as acusações afirmando que a base do atual governo é composta pelos mesmos partidos que formavam a base do governo anterior e que vê com suspeita o fato de o senador José Guerra alegar que antes de 2002 a relação do governo federal com os partidos era pautada por princípios republicanos e que a partir de então passou a ser pautada pelo fisiologismo. 

Reformas X Emendas 

            Em meio à discussão sobre o contraditório apoio do PSDB à recente aprovação no senado do fim do fator previdenciário – que aumenta o gasto público – ao mesmo tempo em que a oposição critica o aumento da dívida pública no atual governo, Sérgio Guerra disse que a situação fiscal deficitária do Estado não vai de encontro à aprovação do aumento da aposentadoria, que ainda está no Senado e pode ser debatida com as lideranças do governo para que se chegue a um consenso do quanto pode ser destinado a ela, sem prejuízo ao erário. 

            Essa discussão colocou em pauta a reforma da Previdência e outras. 

           José Eduardo Dutra disse que não vê necessidade de um ajuste fiscal. Para ele a reforma da Previdência requer um longo tempo para ser aprovada no Congresso, pois é um tema de difícil debate em virtude da “ameaça que é colocada sobre aqueles que estão em vias de se aposentar, o que resulta numa corrida às aposentadorias e agrava o problema”, sendo mais fácil, para obter efeitos num curto prazo, fazer ajustes ou correções pontuais na legislação. Disse que o mesmo é válido para outros temas como, por exemplo, a reforma tributária. Concluiu que “não está no programa do PT a proposição de uma reforma previdenciária”, mas sim “ajustes necessários, de acordo com os problemas que são detectados”. 

            A esse respeito, Sérgio Guerra, contrariamente, posicionou-se a favor das reformas previdenciária, tributária e política, apesar delas implicarem em contrariedades para os setores que são afetados. Opôs-se às medidas provisórias e a outras medidas que chamou de ‘tapa-buracos’ 

Ideologia 

            Mencionando uma declaração do presidente lula, na qual ele disse ter chegado à conclusão de que é preciso “primeiro construir o capitalismo, para depois construir o socialismo”, Julia Duailibi perguntou para o presidente do PT se o partido pretende implantar o socialismo no Brasil. Com um riso que pareceu ser de troça, José Eduardo Dutra disse que “o PT nunca se apresentou como um partido marxista”. Flexibilizou o conceito de socialismo para dizer que o partido busca a construção de uma sociedade, tenha ela o nome de socialista ou qualquer outro, mais justa e solidária, em que se diminua a desigualdade e se contemple as questões chamadas de contradições secundárias, como as de gênero, raça e desenvolvimento sustentável. Disse que a forma de buscar isso é o aprofundamento da democracia através da introdução de mecanismos de participação popular direta efetivos, sem que isso, contudo, signifique um “chavismo”. 

Política externa 

            José Eduardo Dutra defendeu a tradição de não ingerência nas questões internas de outros países, para justificar a não intervenção do Brasil em Cuba e as relações com o Irã. Comparou as políticas de comercio exterior praticadas pelo atual e o antigo governo, lembrando que havia pressão para adesão do Brasil à ALCA, o que não aconteceu. Citou que até 2002 60% das exportações brasileiras tinham como destino a União Européia, EUA e Japão, sendo que a partir da posse do presidente Lula esse quadro mudou e hoje, além das exportações terem aumentado, esses 3 destinos respondem por menos de 40% do total. Afirmou que o governo promoveu a diversificação nas relações comerciais com outros países, passando a exportar mais para regiões como a Ásia e América Latina, fato que, para ele, foi fundamental para a rápida superação da crise de 2008, pois isso diminuiu a dependência do Brasil da UE e EUA, núcleos do capitalismo que foram mais duramente atingidos pela crise. Alegou que essa atitude não significa uma intenção de romper relações comerciais com EUA e países da Europa, mas a intenção de dar continuidade a “uma diversificação e uma melhor distribuição do mercado brasileiro”, aproveitando-se da “importante liderança que tem o Brasil, particularmente na América Latina”. 

            Guerra falou que “há alguns desvios de conduta” na atuação do governo atual na política externa. Criticou o que chamou de descaso com Cuba e Venezuela em relação aos Direitos Humanos.  Aproveitando o assunto, disse que o PT quer cercear a liberdade de Imprensa por meio do PNDH3. Lembrou a intervenção do Brasil em Honduras, que considerou um exagero que feriu a constituição do país caribenho. Entretanto considerou razoável o resultado da política externa no atual governo, alegando, todavia, que não é verdade, como disse José Eduardo Dutra, que o volume de exportações cresceu a partir de 2008, e sim que, pelo contrário, diminuiu. Criticou a relação do atual governo com ditadores como Raul Castro, Hugo Chaves e Mahmoud Ahmadinejad

Chavez e Ahmadinejad

            Na tréplica, Dutra colocou fogo na discussão lembrando que “o governo anterior nunca fez nenhuma declaração a respeito da violação dos Direitos Humanos em Cuba, embora saibamos que já houvesse naquela ocasião” e que “no governo anterior o Fujimori (ditador que governou o Peru de 1990 a 2000) veio ao Brasil (…) e, no entanto era um país (o Peru) com o qual o Brasil tinha excelentes relações (comerciais) e estava correto de ter”. Lembrou que, portanto, no governo anterior também existiam relações como as que Guerra criticou, com ditadores. Disse que o polêmico PNDH3 tem pontos que considera absurdos e que devem ser alterados – como a questão do aborto – mas que o PT jamais se mostrou disposto a cercear a liberdade de Imprensa, em nenhum de seus documentos. Lembrou que o PNDH3 não é uma proposta do governo e sim um documento que reúne propostas advindas de conferências – como a Confecom. “O nosso partido tem uma história de defesa intransigente da liberdade de Imprensa, que continuará no nosso governo” – disse. 

            Esse debate (clique para assistir), muito esclarecedor, explicitou as principais diferenças entre PT e PSDB

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Das dezoito às dezoito

por Thiago Cara, Giovanni Strosa, Mauro Bocchi, Alexandre Bazzan, Vitor Hugo e Alexandre Maciel

Aconteceu neste último fim de semana a sexta edição da Virada Cultural. O primeiro país a ter uma virada foi a França com a Nuit Blanche, que se caracteriza por ter museus e outros pontos públicos de cultura abertos durante a noite e com entrada gratuita.

A versão brasileira caracteriza-se por uma grande pluralidade, e o mais difícil é não encontrar algo para fazer no evento que iniciou as 18h do sábado (15), se estendeu madrugada adentro, finalizando apenas no domingo, já quase as 20h. Este ano aproximadamente 4 milhões de pessoas compareceram aos eventos, segundo dados da prefeitura de São Paulo. Em seguida, algumas analises sobre um pouco do que rolou no fim de semana cultural.

O início. Sábado, 15 – 18h
Arriba San Pablo!

A Virada Cultural de 2010 em São Paulo iniciou em grande estilo. O primeiro show da noite ocorreu na Praça Júlio Prestes, e contou com a ilustre presença de Barbarito Torres e Ignacio “Mazacote” Carrillo, dois remanescentes do renomado grupo cubano Buena Vista Social Club. Barbarito, 54, é o “rei do alaúde” em Cuba, e se tornou ainda mais conhecido após ser retratado no documentário de Wim Wenders, que leva o nome do grupo. Carrillo, apesar de não ter participado do documentário, também é da mesma geração de músicos e foi um do idealizadores do The Afro-Cuban All-Stars, outro grande nome da música de seu país.

Marcado oficialmente para às18h, a apresentação começou com cerca de 20 minutos de atraso, o que não foi suficiente para desanimar as quase 10 mil pessoas que estavam no local, e que fizeram da praça uma verdadeira pista de salsa. Pessoas de todas as idades dançaram ao som do grupo. Evidentemente, nem todos ali presentes conheciam as músicas dos cubanos, mas quando Barbarito foi chamado ao palco, o público conheceu um pedacinho de Cuba, ao som do clássico “Chan Chan”.

Logo depois, entrou em cena Carrillo, que no auge de seus 83 anos, foi definido como “um jovem cantor cubano” por seu companheiro. Os músicos pareciam estar bem à vontade, esbanjando sintonia. Carrillo, com suas mais de oito décadas de vida, dançava com a disposição de uma criança, enquanto cantava as saborosas “Lengua Lisa” e “Oye Sabullo”, por exemplo. Com a platéia ganha, arriscou, inclusive, algumas palavras em português. Delírio total do público.

Depois dos cubanos, a Praça Julio Prestes recebeu a cantora nacional Zélia Duncan. Afinal, o show tinha que continuar.

20h – Zappa!

A Grand Mothers Re:Invented – reunião de ex-integrantes da banda de apoio do lendário guitarrista Frank Zappa, The Mothers of Invention – abriu os shows do Palco Rock, dessa vez situado na Avenida São João, às oito da noite do sábado. Mesclando hard rock, jazz, blues e psicodelia, a banda contagiou o público. Até os que não a conheciam ficaram impressionados com a qualidade e com a presença de palco dos músicos. O repertório incluiu grandes clássicos, como “Peaches en Regalia”, “Montana”, “Florentine Pogen” e “More Trouble Every Day”. O destaque ficou por conta do vocalista e saxofonista Napoleon Murphy Brock e sua irreverência e simpatia com a plateia

00h – A different set of jaws

Em uma parceria do SESC com a prefeitura, foi exibida uma sessão do clássico Rocky Horror Picture Show no Cine SESC, na Rua Augusta. Se por um lado o evento não era gratuito como a maioria dos acontecimentos da virada, por outro, o convidado ganhava um kit com badulaques para “brincar” com os atores contratados durante a apresentação do filme, coisa que é característica comum nas apresentações ao redor do mundo.

A platéia se divertiu bastante, algumas pessoas chegaram até a dançar durante alguns momentos do musical, e ficou a impressão de que os 4 reais pagos na entrada valeram a pena.

Domingo, 16 – 18h
Violada para encerrar

Os consagrados violeiros Geraldo Azevedo, Elomar, Vital Farias e Xangai encerram com o espetáculo Cantoria, uma homenagem ao álbum de mesmo nome gravado em 1984, no Teatro Castro Alves, o mais importante centro artístico soteropolitano. O registro sonoro da antológica performance, ao vivo e lançado em dois volumes, teve uma grande importância ao marcar o encontro de quatro dos maiores cancioneiros populares do Brasil. Aliás, o disco é muito importante também por uma curiosidade: foi a primeira gravação com tecnologia digital no país.

A apresentação, que fechou a maratona de eventos culturais, aconteceu no palco principal do evento e contou com mais de 40 mil pessoas, segundo a polícia militar. Em uma noite morna e pontualmente às 18h cravadas no relógio inglês da Praça Júlio Prestes, subiram ao palco o pernambucano Geraldo Azevedo, o paraibano Vital Farias e os baianos Elomar e Xangai. Após tomarem o palco e iniciarem a apresentação, a artista Sandra Miyazawa, sobre nossas cabeças, encenava a performance “La Señorita”, pendurada por um cabo que saía da torre do enorme relógio.

Havia pessoas de todas as idades e gerações, e apesar do grande número de pessoas, o espaço montado na Avenida Duque de Caxias era suficiente para assistir ao espetáculo com tranquilidade. Os quatro se apresentaram apenas com seus violões. Clássicos como “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo e “Veja Margarida”, de Vital Farias, eram acompanhados em coro pela multidão. Apenas quando Elomar iniciava suas canções os espectadores somente ouviam as músicas. Na opinião do entrevistado Genival Oliveira, 43 anos e sindicalista, “o Elomar não passa de um chato. Um fazendeiro burguês. Ele é da UDR!”, dizia, referindo-se a União Democrática Ruralista, entidade que tem idéias contrárias a grupos como o Movimento Sem Terra (MST). A afirmação nunca se confirmou por meio do artista realmente, mas o curioso é que em determinado momento o músico se retirou do palco sem um porque aparente e pouco tempo depois, Vital Farias citou uma lista de pessoas que ele considera importante para o Brasil, e citando João Pedro Stedile, dirigente do MST, complementou: “o MST é o movimento mais sério do país”. Se a saída do músico teve algo a ver com a fala do colega somente o próprio Elomar pode dizer, pois momentos depois ele voltou normalmente ao palco.

Discussões políticas à parte, o fato é que a união destes quatro mágicos da viola sempre renderá espetáculos memoráveis. Para finalizar, no bis, Asa Branca de Gonzaguinha foi fortemente acompanhada por um coro que, em seguida, pedia por mais destes verdadeiros mestres.

Quarteto Kroma quebra o ceticismo na virada cultural

             No final de semana dos dias 15 e 16 de maio ocorreu em São Paulo um dos eventos mais esperados do ano, a Virada Cultura. Durante 24 horas a cidade foi invadida por todo tipo de cultura e por mais de quatro milhões de visitantes. Palcos, saraus e rodas de dança se espalharam pela cidade em variados ritmos e estilos.  Ao contrário da maioria dos shows, na Casa das Rosas o ambiente intimista e aconchegante e a música instrumental foram a atração do evento.

            Começando às 5 horas da tarde do sábado, no tradicional local da Avenida Paulista, o Cortejo Poético e a Banda Quarteto Kroma inauguraram a festa. Heraldo Parma, guitarrista da banda, pensa no convite para participar como mais que um mérito, um privilégio. “Com tantas pessoas que precisam de espaço, nós somos escolhidos pela segunda vez consecutiva”. Já haviam participado em 2008 no mesmo local, e em 2009 na “Rave Cultural” que é uma extensão da Virada. Para ele, este evento deveria ocorrer a cada três meses, já que com tantas performances interessantes para serem mostradas, um dia parece-lhe ser pouco tempo.

O grupo Quarteto Kroma em apresentação na Casa das Rosas em São Paulo - SP

            Formado por Heraldo Paarmann, AlexandreSpiga, Igor de Bruyn e Alexandre de Òrio, a banda adota um estilo diferente apenas com o som da corda. Segundo Heraldo, “somos uma banda na qual o baterista e o baixista não vieram, o tecladista faltou, e o vocalista também não apareceu. Uma banda que não tem o resto, mas tem os guitarristas”. A banda está comemorando 10 anos, este ano irão lançar o segundo cd. Este último trabalho é uma relação rítmica e a base de percussão, características pouco usadas por guitarristas. A guitarra é mais linear, já o violão é mais rítmico, e eles trabalham na incorporação disto ao seu som. “Tocaremos uma música do Ultraje a rigor, mas não do jeito que vocês conhecem. Vamos destruir e reconstruir toda a canção”.

            Roqueiros, sambistas e músicos populares representam um protesto contra a segregação musical. “O ecletismo cerebral está em nós, então não tem essa de não se comunicar com outro gênero, não tem nada a ver porque a idéia é você fazer música”. Segundo a banda, a criação musical perdeu um pouco do seu valor, a sociedade é mais quadrada do que se diz. A contracultura prega a globalização, mas pratica a segregação. “Quem gosta de rock é só rock”. A Virada Cultural nos ensina o contrário, nos permite passar por diferentes cantos da cidade ouvindo estilos e gostos musicais diferentes do nosso. “Alguém está passando na rua, ouve um som, para e fala ‘olha, nunca reparei nisso, pó legal!’. A virada quebra esse ceticismo”.

Julia Mattos, Vivian Ito, Thais Paiva, Victor Pozella e Arthur Capuani.

Copa na África: a bola da vez

Daqui a 39 dias terá início a Copa do Mundo, que desta vez será sediada na África do Sul. É um dos eventos mais esperados do ano, tanto pelo futebol em si, quanto  por sua estréia no continente africano, ainda muito estigmatizado e comumente associado à miséria e atraso sócio-econômico.

O país, que já superou diversas mazelas de seu passado, como o apartheid, hoje tem a chance de mostrar mais uma vez seu poder de superação, através da majestade dos estádios construídos para o evento. Mas os investimentos do governo sul-africano não se resumiram à construção de arenas.

Os turistas brasileiros que forem à copa serão recebidos por uma estrutura de aeroportos renovada, fruto dos esforços para modernizar a rede de transportes do país. Fora os jogos de futebol, a África do Sul também oferece diversas atrações turísticas, como os safáris, o lendário cabo da boa esperança e os hotéis da rede Suncity, uns dos poucos a merecerem a sexta estrela.

Vale lembrar que os brasileiros que quiserem conferir o evento contam a facilidade de não precisarem de um visto – graças a acordos entre o Brasil e a África do Sul, os turistas necessitam apenas de seu passaporte e RG.

A Copa
A melhoria na infra-estrutura da África do Sul acarretou em uma grande procura por ingressos, já esgotados em sua maioria. A demanda foi especialmente alta para os jogos de decisivos e aqueles que envolvem os favoritos ao título.

Também existe grande expectativa para o jogo entre Inglaterra e Estados Unidos, que tem seu espetáculo ameaçado pela possibilidade de um atentado, após mensagens creditadas a Al-Qaeda virem a público.

A Copa terá ainda confrontos envoltos em disputas políticas e históricas, como Argentina e Inglaterra, que fora dos gramados disputam o território das ilhas Malvinas, ou o jogo entre França e Argélia, que traz como pano de fundo o passado colonial dos dois países.

Por fim, mas não menos importante, o mundo também aguarda o jogo entre Coréia do Norte e Coréia do Sul, que deve marcar a aproximação dos dois países, envoltos em disputadas entre o comunismo e capitalismo.

Trabalho de: Adriana Dalligna, Beatriz Mattioli, Conrado Ferrato, Daniel Giro, Gabriella D`Andrea, Isadora Mota, Isadora Soares, Juliana Américo, Mariana Tessitore, Priscila Venâncio, Guilherme Gomes, Rafael Kalli, Victor Lopes, Victor Costa e Victória Mantoan

Copa do Mundo de 2010: É a vez da África

Por Alana Ambrosio, Alessandra Ungria, Beatriz Nascimento, Camila Saipp, Carolina Corrêa, Carolina Garcia, Carolina Sanchez, Isabela Labate, Juliana Tamdjan, Letícia Sampaio, Manuela Aragão, Maria Carolina Paz, Maria Júlia Marques, Mariana Araújo, Marianna Martins, Marta Barbosa, Nicole Lallé e Stephanie Hering.


Representando uma mudança de parâmetros nos últimos 40 anos, a Copa do Mundo deste ano será sediada na África do Sul, palco de inúmeros acontecimentos históricos como o regime de segregação racial do Apartheid. O continente africano é frequentemente associado a pontos negativos, que acabaram se tornando esteriótipos do país, como a pobreza, a fome, disputas étnicas, a epidemia de aids, entre outros. Assim, muitas pessoas associam a África de maneira errônea, como um grande safári em meio aos problemas do continente.

Contudo, a Copa do Mundo de 2010 promete mostrar o “outro lado” da África, enaltecendo a diversidade étnica, as riquezas naturais e principalmente, exibindo a nova infraestrutura preparada para a recepção do evento, seja nos estádios, meios de transportes, lojas ou hotéis.

Vídeo oficial da Copa do Mundo com a parceria da cantora Shakira.

Dicas para visitar a África do Sul

Para os interessados a assistir os jogos de futebol da Copa, a South American Airways voa diariamente a Johannesburgo e a viagem dura em média, oito horas e meia. O país conta com ótimas alternativas de agências de viagem como a Agaxtur e a Air International. Após uma longa mudança estrutural para receber os turistas neste ano, a África do Sul conta com outros dois aeroportos internacionais, frotas de táxis, companhias de ônibus e trem. Para quem preferir alugar um carro, a habilitação brasileira é válida no país por um mês.

A diversidade de hospedagens agrada desde quem procura por luxo em hotéis cinco estrelas até fazendas, albergues e campings.

A moeda nacional atualmente equivale a R$1,00 para R 4,40 (rand). Além do dinheiro vivo, cartões de crédito internacionais são aceitos nas grandes cidades e áreas turísticas (exceto para combustível). Nas compras, estrangeiros tem direito ao reembolso do imposto sobre valor agregado (apenas acima de R 250 e com apresentação de nota, passaporte, formulário de reembolso e a mercadoria). As operadoras de turismo credenciadas vendem pacotes especiais para a Copa ou somente os ingressos dos jogos, também vendidos no site da Fifa ou nas bilheterias dos estádios a partir do mês de Abril.

O brasileiro não precisa de visto para permanência até 90 dias. No entanto, algumas precauções na área da saúde devem ser tomadas antes da visita, como a vacina contra a febre amarela (obrigatória). Recomenda-se também uso de repelentes contra insetos transmissores da malária e da dengue, tendo em vista a grande incidência dos mosquitos.

Para ligar para o Brasil a cobrar, o número da Embratel é 0800-990055.

Agora para quem não poder acompanhar os jogos de perto, resta esperar a contagem regressiva para o início da Copa e torcer muito pelo hexa!

Zakumi, o mascote oficial da Copa do Mundo de 2010.