Arquivo da categoria: Cultura

Convite ao conhecimento: Bienalize-se

“Um copo” de tudo o que há no mundo, agora  cabe a São Paulo navegar

Por Vivian Ito
Colaboração da jornalista de política para a seção de cultura

A Bienal de São Paulo, criada em 1951 por Ciccillo Matarazzo, exibida acada dois anos no Parque do Ibirapuera, estará em exposição do dia 25 de setembro a 12 de dezembro. O tema deste ano será ‘Bienalize-se, há sempre um copo de mar para um homem navegar’. Frase  retirada da obra Invenção de Orfeu, que sintetiza a intenção da exposição, de mostrar a impossibilidade de separar a arte da política.

Obras de 159 artistas de diversos países foram expostas no Pavilhão do parque. Entre eles: Nuno Ramos, Gil Vicente e Henrique Oliveira. Além dos quadros, este ano também foram expostos recursos visuais e auditivos, como vídeos e músicas. Em conferência de imprensa a curadoria educacional, Tânia Regina, revela que a ideia deste novo conceito é mostrar que entender e falar de arte contemporânea pode ser algo feito por todos, basta recorrer ao nosso repertório e experiências anteriores.

Segundo a professora Rosa de Moraes, “a grande quantidade de sensações produzidas por estes recursos, nos leva ao verdadeiro cotidiano, pois representam tudo o que temos que ver e ouvir no dia a dia”. Apesar de algumas pessoas discordarem – como Luiz Flávio Rodrigues, que afirma “nunca ter visto uma bienal tão estranha, já que a mistura de sons e a falta de explicação são muito confusos” – a função da bienal era exatamente o que Rosa descreveu, provocar pensamentos e reflexões que mostrassem ao público tudo aquilo que nos ajuda a pensar no mundo de hoje.

Balé Nacional da China estréia em São Paulo

Por Maria Fernanda Giembinsky

Pela primeira vez no Brasil, o Balé Nacional da China apresenta a partir desta quarta (10) o espetáculo Lanternas da Vermelhas no Tatro Bradesco. Com direção do cineasta Zhang Yimou, a companhia se apresentará na capital paulista até domingo (14), e seguirá para quatro outras cidades. Fundado em 1959, a companhia se destaca no mundo da dança pela perfeição dos movimentos e ao cenários e figurinos impecáveis. Imperdível.

Serviços:

Quando: Quarta a Sábado às 21h e Domingo às 20h

Onde: Teatro Bradesco

Quanto: de R$60 a R$300

Classificação: livre

Mais informações:

Teatro Bradesco

A receita das Três Velhas

Foto: Divulgação/Fábio Furtado

Por Maria Fernanda Giembinsky

Junte um enredo do dramaturgo e cineasta da contracultura Alejandro Jorodowsky.  Some  a isso a presença de Maria Alice Vergueiro, atriz famosa pela atuação no vídeo Tapa na Pantera, no palco e no papel de diretora. Acrescente dois atores (Luciano Chirolli e Pascoal da Conceição) no papel de velhas decadentes e adicione lentamente pitadas de humor, improviso e provocação. Espere as cortinas se abrirem. E terá como resultado a inédita (e grotesca) montagem de As Três Velhas, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo até o final de outubro. 

Serviço:

Quando: até 31 de Outubro (Sexta e Sábado às 19h30min; Domingo às 18h)

Quanto: R$ 15,00 (*estudantes e clientes Banco do Brasil pagam meia)

Onde: Teatro Centro Cultural Banco do Brasil (End.: Rua Álvares Penteado 112 – Cerqueira César – Centro)

Telefone: (11) 3113-3651

Mozart e Debussy no repertório de SPCD

Por Maria Fernanda Giembinsky

A São Paulo Companhia de Dança participará pela segunda vez da Temporada de Dança do Teatro Alfa entre os dias 9 e 12 com duas remontagens inéditas: Sechs Tänze, do coreógrafo Jirí Kylián, composta por seis peças que dialogam entre si com o objetivo de criticar os valores à época da composição de Seis Danças Alemãs K 571 de Mozart, e Prélude à l´Aprés-midi d´un Faune, da coreógrafa canadense Marie Chouinard, uma nova versão da coreografia de Vaslav Nijinski de 1912, que baseou-se no poema sinfônico homônimo de Debussy. Além disso o espetáculo contará com a reapresentação de Theme and Variations, de George Balanchine.
Criada há apenas dois anos pela Secretaria de Estado da Cultura, a São Paulo Companhia de Dança já é uma das mais promissoras companhias da América Latina e promete dar o que falar em sua primeira turnê internacional agendada para 2011.

Serviço:

Data: de 9 a 12 de Setembro

Local: Teatro AlfaIngressos: a partir de R$ 40,00 (*Não recomendado para menores de 14 anos)

Mais informações:

Teatro Alfa:

Site – http://www.teatroalfa.com.br/default.asp

Bilheteria – tel (11) 5693 4000 ou 0300 789 3377

São Paulo Companhia de Dança:

Site – http://www.saopaulocompanhiadedanca.art.br/index.php

Exposição de arte digital chega ao fim neste domingo; leia entrevista com um dos artistas

por Giovanni Santa Rosa

Esse fim de semana acaba a edição 2010 do FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (veja fotos). Sediada no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, a mostra reúne diversas obras de arte e instalações, todas digitais e interativas. Entre elas, destaca-se disc.o, uma espécie de instrumento musical eletrônico para várias pessoas, do artista austríaco Andreas Haider, o “Muk”. Em entrevista, ele fala sobre seus trabalhos e suas inspirações.

disc.o, de Muk

disc.o, de Muk - Fonte: flickr do SESI-SP

aPUCuntura – Quando você decidiu ser artista? E a arte digital, quando ela se tornou um interesse?
Muk – Eu sempre quis ser um cameraman, mas acabei aprendendo engenharia eletrônica. No entanto, passava meu tempo livre com uma câmera na mão, fazendo performances de vídeo e dança, até que finalmente estudei arte e mídia. Então, meu interesse pela arte foi crescendo e se juntou à minha habilidade com eletrônicos e à minha paixão por criar coisas e imagens.

A – De onde veio a inspiração para disc.o?
M – Veio de uma exposição que visitei quanto estava na Universidade, chamada Máquinas de som mágicas, que tinha todos os instrumentos importantes para produção, gravação e transmissão de som, como o teremim, o fonógrafo de Thomas Edison, e alguns sintetizadores. Eu me inspirei bastante em máquinas que produziam som a partir de processos fotoelétricos, como o Superpiano [instrumento austríaco da década de 20, uma espécie de teclado primitivo], talvez por mais um artista visual e menos um músico.

A – Este é um trabalho que mistura música e arte digital. Você se inspirou em algum artista ou banda?
M – Nenhuma banda ou artista em especial me inspirou. A inspiração veio mesmo do som repetitivo da música eletrônica, especialmente da música techno. Não é apenas o som cru de ondas retangulares, é também a repetição de uma sequência de sons. Foi por isso que eu decidi fazer [a instalação] redonda.

A – Como é a arte digital na Áustria? Há uma cena artística no país?
M – Há uma cena artística relativamente ativa no país. Em Linz, há o Ars Eletronica, que é um evento anual sobre arte e novas mídias. Em Vienna e Graz também há uma série de novos artistas e eventos relacionados à arte digital.

A – Seus trabalhos foram expostos em diversos lugares ao redor do mundo. Você nota diferenças na maneira com que as pessoas lidam com a tecnologia e a arte digital de acordo com a cultura local?
M – Em São Paulo, eu reparei que as pessoas reagem de maneira um pouco selvagem, rústica, talvez por conta do temperamento. Além disso, alguns trabalhos são supersensíveis e quebram facilmente. Mas este é um problema generalizado: no mundo todo, as pessoas pensam que estão indo a um parque de diversões e não a um museu. Então, alguns trabalhos não chegam a durar uma noite.

A – disc.o pode ser “tocada” por várias pessoas ao mesmo tempo. Você acredita que um dos papéis da arte digital é juntar as pessoas?
M – Quebrar o limite entre arte e público sempre foi um dos meus ideais. E eu adoro criar trabalhos interativos, não só instalações. É ótimo poder começar a interação entre pessoas!

FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica
Centro Cultural FIESP – Ruth Cardoso
Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp – veja no Google Maps
27 de julho a 29 de agosto de 2010 – Entrada franca – Classificação livre
Terça-feira a sábado, das 10h às 20h
Domingos, das 10h às 19h
Segundas-feiras, das 11h às 20h
Informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406

Arquivo Miroel Silveira: censura em cena

 Por Maria Fernanda Giembinsky

O Teatro brasileiro foi censurado até mesmo depois do fim do Regime Militar. Isso é o que confirma análise feita pelos pesquisadores do projeto Censura em Cena – Arquivo Miroel Silveira em que até governos não autoritários o censuravam. O Arquivo Miroel Silveira possui um acervo, localizado na Biblioteca da ECA/USP, com mais de 6.000 processos de censura prévia ao teatro pela Divisão de Diversões Públicas de São Paulo (DDP-SP), desde 1930 até 1968, além de cerca de 80 peças de teatro não publicadas na época que comprovam as restrições. Entre as décadas de 50 e 60, grupos como o Teatro Arena e Opinião, que encenaram algumas das peças mais importantes para o circuito teatral brasileiro, passaram  a abordar  temas como política  e problemas sociais do Brasil e tiveram suas práticas interrompidas com o Golpe Militar de 64, em que a questão da censura deixou de ser só moral, como era no governo de Jânio Quadros, e passou a ser também política.

Mais informações:

http://www.eca.usp.br/ams/

http://www.arquivomiroelsilveira.blogspot.com/

“Mudança de Hábito” para Broadway

Por Maria Fernanda Giembinsky

O musical “Mudança de Hábito”, adaptado do filme homônimo, será apresentado na Broadway a partir de 2011. Não há, porém, uma data prevista para sua estréia no teatro nova-iorquino. O musical, que fez sua primeira representação em Pasadena, Califórnia, em 2006, tendo a melhor bilheteria já conseguida no local, está em exibição em West End no London Theatre desde 2009 com temporada prevista para terminar no final de outubro. Desde terça-feira (10) a atriz Whoopi Goldberg, que estrelou no papel de protagonista (Deloris Van Cartier) na versão cinematográfica, está substituindo a atriz Sheila Hancock no papel de Madre Superiora e permanecerá no elenco até 30 de agosto. O musical poderá ainda voltar ao cinema em versão remake. A cantora Beyoncé estaria negociando com seus representantes para levá-lo às telonas, e representaria o papel antes de Whoopi Goldberg em sua versão original. “Mudança de Hábito” conta a história de uma jovem que, após testemunhar um crime, esconde-se em um convento para se proteger do assassino, que teme que ela o denuncie.

Título Original: Sister Act

Direção: Peter Schneider

Coreografia: Anthony Van Laast

Figurino: Lez Brotherston

Para mais informações: http://www.sisteractthemusical.com/