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Sentido em mão-dupla

O ponto de encontro de Paradas em Movimento e Koyaanisqatsi.

 

Por Cau & Roni

 

A busca do sentido
 
 
            “Papai, o que é isso” – pergunta um garoto loiro, cerca de 8 anos, ao passar em frente ao monitor que exibe o vídeo “Cavar”, de autoria de Cinthia Marcelle, na exposição “Paradas em Movimento – Wonderland: Ações e Paradoxos”, que ocorre de 6 de fevereiro à 5 de abril, no centro cultural de São Paulo, próximo à estação Vergueiro do metrô. Curadoria de Pamela Prado e Rafael RG.
            “Uma retro-escavadeira, filho” – responde o pai, após  aproximadamente 8 segundos de perplexa reflexão sobre o que vê na tela plana de LCD de aproximadamente 30 polegadas: uma paisagem desértica, tipicamente saariana, um homem pilotando a retro-escavadeira amarelo-ocre que, lenta e incessantemente, se movimenta em 8, revolvendo a terra e marcando o solo com o símbolo do infinito. O vídeo tem 8 minutos. É repetido, repetido…
            “Cavar” está no espaço Caio Graco (1º andar do centro cultural), que pode receber aproximadamente 100 pessoas.
            Parado em frente ao monitor o telespectador assiste ao movimento da retro-escavadeira. Parado, em movimento.
            O paradoxo se dá entre o corpo e a mente de quem assiste pois enquanto observa, parado, a mente percorre as mais sinuosas trilhas para procurar um sentido para o que os olhos vêem. Algumas mentes acham uma retro-escavadeira, outras, muito mais.
            Atrás deste monitor, parado, há outro, que exibe um vídeo de Laura Glusman, intitulado “Nado y Nada”. Uma garota jovem, 20 anos talvez, sadia, bonita, nua nada, na água, óbvio, mas numa água que, turva, refletindo luz – natural ou não –  não se assemelha à água de piscina, nem de lago, nem de rio, em fim, não se assemelha a nada. O vídeo recomeça e, literalmente, nada. A garota fica sempre parada, em movimento de nado. Absolutamente nada!

Uma garota nada e está sempre parada.

            Devir. Outro monitor, outro banco em frente a ele, a mesma atitude.
            Devir é a palavra que Gilles Deleuze usa para definir uma ação criativa, nova e de cunho social praticada por uma comunidade com consciência política. Um ato de resistência a uma repressão imposta por autoridades ou governantes.
            É o primeiro de centenas de verbos que uma mão, destra, escreve e apaga, com pincel atômico preto sobre um quadro branco que o monitor exibe, incorpora. Detalhe: os verbos sempre no infinitivo. O nome do vídeo, sem áudio, é “Apagar”, tem 12 minutos e foi concebido por Marilá Dardot.
            Remando contra a maré. Na água do mar, dessa vez nitidamente do mar, um homem, vestido de preto, solitário em uma canoa que parece uma ilha individual, pelo fato de ter a bordo, verdadeiros e vivos, de fato, um coqueiro e um arbusto. Talvez não esteja tão solitário. Em 3 minutos ele vence a correnteza e cruza o monitor, sem um som sequer. O vídeo se chama “Remar”, é de Antti Laitinem.
            “Sei que vou morrer, não sei o dia, levarei saudades da Maria. Sei que vou morrer, não sei a hora, levarei saudades da Aurora.”.
            A “Parada Sonora” – espécie de discotequeira eletrônica estilizada – tem Ataulfo Alves e muitas outras preciosidades que propiciariam ocasião para uma excelente e alegre festa, se não pudessem ser ouvidas apenas por uma ou duas pessoas por vez, com fones de ouvido. Talvez por causa das músicas de Bethoven, que também integram o repertório.
            Há outros vídeos e “Paradas Sonoras” no espaço Flávio de Carvalho – andar térreo do centro cultural – cujos sentidos profundos podem ser definidos, quiçá, somente pela língua conjunta do amor de um casal formado por um homem negro e uma mulher oriental. Mas os solitários homens, altos, taciturnos, e as lindas loiras de mini-saia azul que transitam pelo salão ‘clean’, muito agradável aos olhos – estudantes do colégio Santo Agostinho – também se esforçam para lhes dar algum significado.
            Na biblioteca do centro cultural – subsolo – entretanto, é que se apreciam os objetos mais desafiadores que há na exposição, do ponto de vista da cognição.
            É impossível esquecer o vídeo “Desvios de Cotidianos”, de Adriana Aranha. Um dos mais exóticos, sem dúvida. Dois minutos intermináveis de imaginação e significação.
            É claro que, assim como os pais, os filhos, os casais, as lindas loiras, os estudantes que circulam pela exposição, cada indivíduo terá a sua própria interpretação dos objetos a mostra.
            Vai uma impressão: às vezes fazemos um trabalho ou esforço, sistematicamente, sem sentido.
            Imperdível. Até porque, sem gastar nenhum centavo, de quebra, é possível passear pelo centro cultural, ler um bom livro, observar jovens dançando break, casais incensuráveis gorjeando no lindo jardim, lindas mulheres de rosto angelical, como estátuas, se refrescando. É possível, finalmente, vislumbrar que tudo pode ter muito sentido mesmo, e principalmente, quando não há nenhum sentido envolvido.
 
 
O sentido, no sentido oposto.
 
O documentário Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio, foi realizado em 1983, é o  primeiro protesto, em audiovisual, contra a desordenada e destrutiva ocupação humana no globo terrestre. O título significa “vida  em desequilíbrio” na língua Hopi.
A narrativa audiovisual, completamente sem diálogos, se inicia com imagens de pinturas rupestres dos homens das cavernas e uma simulação de explosão que remete ao imaginário do surgimento da Terra. Em seguida, diversas tomadas aéreas do Grand Canyon, nos EUA, se misturam às imagens mais objetivas de rochas e detalhes do solo da região. As cenas aéreas avançam no espaço até chegarem a uma pedreira e a uma rede elétrica, impactantes intervenções do homem nesta paisagem natural.
A partir de então, o cenário se torna cada vez mais urbano, culminando com o caos da metrópole de Nova York: edifícios monumentais, a grande malha tecida por inúmeras avenidas, estradas e trilhos de trem. Carros e pessoas andando freneticamente pela cidade.
Neste percurso, é perceptível a mudança brusca na trilha sonora criada pelo músico americano Philip Glass, que se torna mais sinistra e acelerada com a ruptura da paisagem natural para a urbana. A impecável e poderosa trilha sonora conduz e completa a narrativa das imagens.
Outro efeito interessante é que muitas das cenas têm sua velocidade de exibição alterada. Tanto na primeira parte, onde é mostrada a exuberância e o poder da natureza, quanto na segunda, onde se exibe o caos da urbanização moderna, as imagens são exibidas em velocidade mais lenta ou mais rápida que o tempo real. Em determinados momentos é perceptível o paralelo visual entre cenas urbanas e da natureza como, por exemplo, as cenas de ondas do mar exibidas no começo do filme e as cenas de “ondas de pessoas” nas escadas rolantes do metrô de Nova York.
A idéia de alteração do tempo tem tudo a ver com o argumento do filme, que procura mostrar como o ritmo de vida do homem moderno é violentamente mais acelerado do que antes, em descompasso com o tempo da natureza. Além disso, fica claro como o avanço da tecnologia, tão cultuado em nossa sociedade, é um dos grandes responsáveis pela alteração do ciclo natural da Terra. Sendo assim, Koyaanisqatsi é uma metáfora da “evolução” do homem desde seus primórdios.
O filme nos faz refletir sobre as condições desumanas da vida moderna, nos alertando para o perigo que a civilização causa à humanidade. 
As imagens são cuidadosamente capturadas sob ângulos e enquadramentos surpreendentes. As inovações realizadas por Reggio servem até hoje de inspiração para muitos que se aventuram no campo das imagens. O documentário foi capaz de construir uma beleza visual quase indescritível, sedutora. Mesmo, e principalmente, pela a ausência de diálogo, o filme é hipnotizador e, talvez por isso, extremamente perturbador do início ao fim.
            Ao refletir sobre o sentido do filme, o espectador pode se questionar se as ações cotidianas do homem moderno, aparentemente repletas de significado, como o lucro e a acumulação de capital, têm de fato algum sentido, uma vez que causam o desequilíbrio, o caos, sob o pretexto do avanço e da ordem.

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As meninas sobem ao palco

por Valéria Mendonça

as meninas          Lorena Vaz Leme(Clarissa Rockenbach) é sonhadora e romântica, Lia de Melo Schultz(Silvia Lourenço) é guerrilheira e idealista e Ana Clara Conceição(Luciana Brites) é uma modelo junkie. Rebeldes cada uma a sua maneira, As Meninas, premiado romance da escritora Lygia Fagundes Telles, saem do livro, escrito em 1973, e sobem ao palco do Teatro Eva Herz. Adaptado pela dramaturga Maria Adelaide Amaral e dirigido por Yara Novaes, a peça foca nas paixões e angústias dessas três garotas que vivem em um pensionato de freiras no período da Ditadura Militar brasileira.
 
De 31/10 a 13/12 – Sáb e Dom
Horário: sáb, às 21h e dom, às 18h
Preço: R$40,00(inteira) e R$20,00 (meia)

Teatro Eva Herz
Avenida Paulista – 2.073
Consolação
Fone: 3170.4059

Filme sueco com temática universal é exibido na 33ª Mostra em SP

Por Aline Cestari

Estrelando Maya

Zandra Andersson no papel de Maja

Estrelando Maja – Prinsessa é um dos 424 filmes exibidos na 33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. De produção sueca, o filme é dirigido por Teresa Fabik, de 33 anos. Em 2004 fez seu primeiro longa, O Efeito Ketchup (28ª Mostra) considerado o melhor filme nórdico de diretor estreante no Festival de Cinema de Gotemburgo.

O filme é uma comédia dramática das pessoas e de seus sonhos. Conta a história de Maja, uma jovem de 18 anos, com enorme talento para atuar e que sonha em ser atriz. Entretanto, tem-se uma barreira: ela está fora dos padrões da “estética do magro” praticamente imposta hoje pela sociedade; é uma garota acima do peso. Ainda assim, ela luta, tentando encontrar a força e a autoestima necessária.

Teresa Fabik estava presente na estreia de seu filme, no dia 28 – quarta feira, no Cine Bombrill – Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Comentou sobre o filme e respondeu a perguntas feita pelos presentes após a exibição do longa. Teresa declarou estar muito animada, pois esta é a primeira vez que o filme é exibido na América do Sul. “Espero que vocês possam relacionar tudo, apesar das diferenças culturais que existem” disse.

Apesar desta declaração o filme se mostrou com uma temática muito universal remetendo a sutis referências regionais do país, como uma ironia à cidade de Estocolmo e o modo de como a formatura do ensino médio é comemorada na Suécia, nada que prejudicasse o entendimento do filme.

A 33ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo aconteceu de 23 de outubro a 05 de novembro de 2009. Estrelando Maja – Prinsessa foi exibido quatro vezes. Dia 28 no Cine Bombrill, dia 29 na Reserva Cultural, dia 30 no Unibanco Arteplex e dia 31 na Cinemateca.

Batuques aos sábados

Por: Fernanda Burzaca

Vamos entrar um pouco na cultura pernambucana!

A dança/batuque Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação teve origem no estado de Pernambuco, principalmente nas cidades de Recife e Olinda, com grande influência da cultura afro e do Candomblé.

É uma grande referência ao carnaval do seu estado de origem desde o fim do século XVIII. Podemos dizer que teve uma grande expansão após ações de grupos como o Movimento Negro Unificado, Nação Leão Coroado, movimento Mangue Beat e do grupo Nação Pernambuco.

Assista ao vídeo do Maracatu Ouro do Porto – Recife:

E sabe como podemos conhecer um pouco dessa cultura?

O Maracatu Bloco de Pedra, composto pelos frequentadores das oficinas do Projeto Calo

Participantes do Projeto Calo na Mão. Foto de: Thaís Costella

Participantes do Projeto Calo na Mão. Foto de: Thaís Costella

na Mão, acontece todos os sábados em uma escola estadual de São Paulo.

Você pode ir apenas para observar e conhecer o projeto, e se acabar se interessando (o que é praticamente impossível de não acontecer) se inscrever nas oficinas de construção e manutenção dos instrumentos, ou de dança/percussão.

Confira o vídeo da gravação do DVD:

Ensaio do grupo Maracatu Bloco de Pedra. Foto por: Ligia Blat

Ensaio do grupo Maracatu Bloco de Pedra. Foto por: Lígia Blat

O projeto começou em 2001 com o intuito de revitalizar a escola Alves Cruz, com a criação de uma ONG composta apenas por alunos, que propôs diversas atividades, dentre elas e com mais destaque o tão conhecido Projeto Calo na Mão.

Para conferir de perto o batuque?

Quando: Todos os sábados

Onde: Escola Estadual Professor Antonio Alves Cruz

Endereço: Rua Alves Guimarães, 1511 – Jardim das Bandeiras (próximo ao metro Sumaré ou Vila Madalena)

Quanto: GRATUITO.

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Dança misturada à percussão. Foto por: Fernanda Burzaca

Quanto as oficinas?

Construção de alfaias: das 10h às 15h

Introdução ao Maracatu:  das 14h às 15h

Maracatu: das 15h às 17h

E claro, as oficinas também são gratuitas.

Para mais informações, acesse os site do Maracatu Bloco de Pedra ou do Projeto Calo na Mão.

Para visualizar mais fotos acesse ao flickr de Thaís Costella ou os multiplys de Lígia Blat e Fernanda Burzaca.

Assista a apresentação que fizeram pelas ruas da Vila Madalena:

Bate-papo com Denise Fraga

Por Thaís Teles

Denise_FragaPegar uma escova de cabelos e começar a contar na frente do espelho, fazer poses para um público imaginário, imitar guitarristas, decorar falas de um personagem preferido. Quantas vezes não fizemos isso quando éramos pequenos? Alguns artistas, camuflados de personagens inusitados, são capazes de marcar uma época e de arrancar risos sinceros do público a todo instante. Denise Fraga, atriz com mais de  20 anos de carreira, pode ser considerada um ícone do humor brasileiro.

Dona de uma personalidade simples, inteligente e bem-humorada, a atriz conversou com estudantes de jornalismo da PUC-SP sobre Chen-Te, personagem que protagoniza em “Alma Boa de Setsuan”, além da carreira e outros projetos.

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Praça Roosevelt versão circense

parlap

Grupo Parlapatões

Por Roberta Roque

             A Praça Roosevelt, região central de São Paulo, é conhecida pelas peças em cartaz nos teatros em torno da praça, dos bares e sua vida noturna. Durante quatro dias, iniciados a partir de amanhã (30 de outubro) atrações circenses darão um novo colorido aos arredores.
            O grupo de teatro Parlapatões, criado pelo diretor, ator, dramaturgo e palhaço Hugo Possolo, comandará a III Palhaçada Geral. O evento é um encontro de palhaços que tem como proposta reunir os grupos como: Doutores da Alegria, Parlapatões, La Mínima, Olaria Grandes Bosta, Circo Zé Brasil, Na Makaca e Jogando no Quintal.
             O evento ajuda a disseminar e popularizar o circo e a imagem do clown. A releitura contemporânea da máscara do palhaço se adapta ao teatro e à comicidade própria do circo, sem perder as raízes tradicionais do palhaço de lona.
            A terceira edição da Palhaçada Geral continua a sequência que o grupo Parlapatões vem realizando aproximando o circo das pessoas. No miolo teatral da Praça Roosevelt intervenções como essas aproxima a linguagem clownesca com o universo cultural de muitas pessoas que não tinham ligação cultural com o universo infinito do palhaço.

Serviço:

Palhaçada Geral

Onde: Praça Roosevelt
Quanto: As apresentações serão gratuitas
Quando:  30/10 às 22:00
31/10 às 00:30
31/10 às 16:00
31/10 às 19:00
01/11 às 01:00
01/11 às 17:00
01/11 às 20:00
01/11 às 23:00
02/11 às 17:00
02/11 às 17:00

Improviso para crianças

Por Roberta Roque

 

             O que é preciso mágico de nóspara prender a atenção de crianças em um teatro? Luzes coloridas, figurinos bem elaborados, cenário criativo, música? Bons atores com imaginação já seria o bastante para manter os pequenos entretidos, mas os outros elementos ajudam a compor a magia de ir ao teatro. A peça “Mágico de Nós” conta com todos esses requisitos.
            Primeiro espetáculo de improvisação da Cia. Jogando no Quintal destinado ao público infantil, “Mágico de Nós” adapta a história “O Mágico de Oz” para os palcos. Dorothy e seu cachorro vão encontrando os personagens– Espantalho, Leão e Homem de Lata – para criar outras histórias, improvisadas pelas idéias do público.
            O cenário vai se adaptando ao rumo da trama, assim como até mesmo a platéia se torna parte do cenário. As histórias, os personagens, o cenário, a música, tudo vai sendo inventado na frente dos espectadores.
            Com “O Mágico de Nós” a Cia. Jogando no Quintal mostra que é capaz de fazer improviso para os mais diferentes públicos. Apesar de a classificação da peça ser infantil, não significa que apenas as crianças conseguem se divertir. Aliás, em certas partes da montagem os adultos são os que compreendem melhor a história, isso sem desprender a atenção do público alvo. Como na cena em que se cria um paralelo entre o filme “O Mágico de OZ” de 1939 e o álbum Dark Side of the Moon, da banda Pink Floyd.
            O diretor e ator, César Gouvêa, consegue adaptar da melhor forma possível a história. Mesmo não sendo um trabalho muito fácil adaptar um improviso, já que nunca as histórias serão iguais. Isso faz com que sempre sejam interessantes os caminhos que os personagens seguem para conseguirem o cérebro, a coragem, o coração e voltar para casa.

Serviço:
O Mágico de Nós
Onde: Tucarena – Rua Bartira, esquina com a Rua Monte Alegre. Tel.: 2626-0938
Quanto: R$ 20,00
Quando: Sábado e Domingo às 16h
Duração: 70 minutos