Arquivo da categoria: Política

O papel da conectividade na política – Parte 2

Por Vivian Ito

O tempo se fragmenta, se transforma e se expande, é a nova escassez. A organização da mídia tradicional vem de um ambiente no qual a informação era escassa e o tempo era abundante. Essa equação está sendo invertida, temos um tempo fragmentado e escasso, e uma informação cada vez mais difícil de apurar e administrar.

Isso tem a ver com os hábitos culturais e com a nova forma de consumo da informação. Com a rapidez com que ocorre este processo, a apuração dos fatos a serem informados é cada vez menor. Walter Benjamim dizia, que a informação divulgada pela mídia é a ‘interpretação da interpretação’, ou seja, a subjetividade do homem comunicador e o ponto de vista que este oferece ao seu público nunca será a verdadeira realidade. O problema deste fato é que a medida que os indivíduos se conformam com ter esta informação, mais se distanciam das experiências, ou seja, do fato real. Na atualidade, o pensamento de Benjamim pode ser observado claramente na rapidez com que a indústria da informação está trabalhando, especialmente quando ligada a política.

Com os sites oficiais dos partidos políticos, muitos jornalistas e eleitores se mantiveram informados apenas pelos fatos oficiais e não procuraram contra-pontos das histórias. O jornalismo hoje é consumido em pílulas, quando no passado poderia ser considerado um banquete. Apesar da conectividade ser constante, o tempo das pessoas é fragmentado e o tempo dedicado a ler notícias é limitado, são muitos e pequenos espaços de tempo, ou seja a informação deve ser em grandes quantidades com poucas informações.

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O papel da conectividade na política – Parte 1

Por Vivian Ito

Saímos da época em que o tempo era abundante, o prime time dos jornalistas ocorria na parte da manhã, o rádio dava as notícias da tarde e os telejornais possuíam uma grande audiência durante a noite. Havia uma taxa de tempo disponível em todos os meios, organizações e marcas. Este tempo era utilizado para ações definidas e concretas. Mas isso começou a mudar com a utilização da Internet, principalmente com o uso dos dispositivos móveis – ipad, ipod, smarthphones, entre outros – que permitem a conectividade continua, permanente e com poucos fragmentos de interrupção.

A televisão e a mídia impressa tinham claro o conhecimento de como era consumida a informação, após este fenômeno, as definições se descaracterizaram e ficou necessário uma reinvenção.

Em 1989, Fernando Collor garantiu as eleições após o debate exibido no Jornal Nacional, promovido pela Rede Globo de Televisão. “Propaganda rima com democracia”, dizia Harold Lasswel – um dos pais da comunicação – É fato que a influência da mídia nos eleitores é decisiva na hora de uma campanha política. E agora com a Internet, o retorno da audiência é imediato.

Após a campanha de Barack Obama – que utilizou de forma massiva ferramentas como twitter e facebook para atingir os eleitores – nos Estados Unidos, um novo mercado de marketing político se iniciou. Em 2010 o Brasil realizou suas primeiras eleições sob efeito da internet e das redes sociais.

Pode-se dizer que a internet foi o terceiro bloco formador de opinião desta campanha, se juntando aos partidos políticos e seus candidatos, além da mídia tradicional. Cada candidato se mobilizou na web, uns com mais desenvoltura, outros com mais dificuldades. Contudo, os usuários podiam navegar pelos sites dos candidatos e ter acesso às principais propostas, podendo comparar históricos e decidir entre um e outro.

Como o uso da Internet já era previsto para este pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu a propaganda na Internet na hora de definir o que seria permitido ou não, no período que antecedeu a campanha eleitoral.

Apesar do nome inicial ter sido “Eleições 2.0”, especialistas afirmam que a maioria dos candidatos não aproveitaram ao 100% as funções das mídias sociais. Tiveram dificuldade em adaptar suas campanhas ao formato digital, provavelmente não conseguiram entender como funciona cada uma das redes.

Mesmo assim, podemos dizer que só houve segundo turno por causa da internet. No caso da candidata Marina Silva que era praticamente desconhecida, a Web foi fundamental em sua propaganda política. Como disse Túlio Costa – Coordenador da Web da campanha de Marina Silva (PV) – “para quem acha que 20 milhões de votos é pouco, é só lembrar que nem Brizola chegou a esse número”.

Plinio 2.0

Por Vivian Ito

Após a grande notoriedade que as mídias sociais ganharam na política com a campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, os presidenciáveis do mundo inteiro tentaram se destacar nas plataformas sociais, a grande maioria sem sucesso.

No caso do Brasil, enquanto as eleições 2010 ficaram conhecidas como 1.0, pela falta de aproveitamento das mídias sociais. O ex-candidato a presidência, Plínio de Arruda Sampaio de 80 anos, tornou-se o ‘super-homem’ da Internet.

Não foi a falta de investimento em capanha online que não destacou os outros candidatos, mas a falta de pessoalidade em suas declarações e posts na rede. A quantidade de postagens no twitter revelavam que não era o presidente José Serra quem estava ‘twittando’ com seus seguidores, e no caso da presidente Dilma Rousseff, contratar a empresa Blue State Digital não ajudou a mostrar personalidade na rede.

Para comprovar este fato, podemos entrar no twitter dos candidatos e da atual presidente brasileira e verificar quem continua postando alguma informação e com que frequência.

Ao contrario de seus adversários, Plínio de Arruda não só se identificou com o fenômeno virtual, como também entendeu como funcionam. Prova disso são os seus acessos contínuos na rede mesmo após a eleição.

O fator Marina no segundo turno

por Thiago Cara

Marina Silva foi a candidata que mais cresceu na reta final das eleições presidenciais e, para muitos analistas, foi a grande responsável pelo segundo turno, logo a possibilidade de Marina ser o fiel da balança para determinar o novo presidente do país é praticamente unânime. Com isso, pouco após a divulgação dos resultados, PT e PSDB iniciaram a busca pelo apoio da candidata verde, de olho em seu eleitorado.

Ainda no domingo, surgiu o boato de que a o vice da chapa tucana, Índio da Costa, poderia ser substituído, eventualmente, por um candidato do PV. O primeiro nome cogitado foi o de Fernando Gabeira, derrotado nas eleições ao governo do estado do Rio de Janeiro.

Segundo a legislação eleitoral, a troca de vice é autorizada, em alguns casos, no segundo turno. Entretanto, Ricardo Penteado, advogado da campanha de Serra, desaconselhou o partido da decisão, alertando para uma possível impugnação da candidatura. Segundo ele, a Constituição é dúbia e pode dar a interpretação de que o vice também é titular de chapa, e não somente o candidato em si.

 A idéia ainda esbarraria em outro ponto da Lei Eleitoral, que não permite a indicação de um nome cujo partido não compunha a coligação original do candidato. 

Já o PT, tem ao seu favor o fato de Marina ter vivido grande período de sua trajetória política dentro do partido. Até poucos meses Marina era ministra do governo Lula, e ainda possui grandes amigos na cúpula petista.

Porém, Marina parece não se importar em definir seu apoio em meio à discussões de conveniência. Em entrevista à Radio Jovem Pan, a candidata defendeu que sua posição será definida por questões programáticas, podendo inclusive não seguir a posição de seu partido.

A expectativa é que Marina defina seu apoio em até 15 dias, à menos de 2 semanas do pleito. O que pode diminuir, e muito, a preponderância de sua posição na candidatura petista ou tucana.

Quem tem medo da Ficha Limpa?

por Thiago Cara

Todos se lembram do tamanho da mobilização popular para que a Lei da Ficha Limpa fosse aprovada pelo Senado. Foram mais de 1,6 milhões de assinaturas respaldando o envio do projeto ao Congresso. Entretanto o tamanho frenesi que envolveu a questão acabou por deixar de lado algumas questões importantes sobre o texto que foi aprovado, como aberturas para manobras políticas de candidatos “ficha-suja”, ou até mesmo, quais condenações são válidas, ou não, dentro das interpretações da lei.

Paulo Maluf e Joaquim Roriz (leia mais aqui), dois grandes expoentes da política nacional, por exemplo, já tiveram suas candidaturas barradas inicialmente, com base na nova legislação. Maluf ainda pode recorrer a Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar reverter a decisão do Tribunal Regional de São Paulo. Roriz já recorreu à essa instância e também obteve negativa. Entretanto, ambos ainda podem levar seus casos ao Supremo Tribunal Federal, e até que sejam julgados, podem continuar as campanhas.

em alguns outros casos, como o de José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney, a legislação parece não ter o mesmo efeito. Apesar da Procuradoria Regional Eleitoral no Maranhão ter contestado a candidatura do político por propaganda irregular, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE Maranhão) decidiu manter o candidato, alegando que não poderia impedi-lo, pois fatos que antecipam à lei não podem servir de base para barrar candidaturas. Contradizendo o que já havia sido dito pelo TSE, que candidatos já condenados pelos tribunais antes da existência da Lei, também seriam inelegíveis.

Há ainda exemplos como o de Aldo dos Santos – vice do candidato ao governo de São Paulo, Paulo Búfalo -, que foi considerado “ficha-suja” por uso indevido de um veículo da prefeitura, quando vereador de São Bernardo do Campo. Na oportunidade, Aldo, ajudou moradores de rua doentes em um acampamento no ABC. O PSOL, partido de Aldo, já adiantou que vai manter a candidatura e recorrer da interpretação da justiça sobre o caso.Fica a dúvida, então, até que ponto a Lei da Ficha Limpa ajuda no processo democrático do país.

Por enquanto, é notória, assim como em outros encaminhamentos jurídicos no Brasil, que a lei está à serviço de interesses maiores. A legislação segue permitindo os “jeitinhos”, e fica realmente difícil de acreditar que seja possível uma punição séria para aqueles que podem pagar bons advogados ou têm proximidade com o poder.

Primeiro Debate Online

Por Vivian Ito

Com a mudança da lei eleitoral em 2009, a internet passou a ter liberdade plena para organizar debates eleitorais. O primeiro aconteceu na manhã do dia 18 de agosto, no teatro TUCA da PUC de São Paulo. Houveram 5 blocos, com diversas dinâmicas, aonde os entrevistados puderam debater entre eles, com os internautas e responderam perguntas de diferentes jornalistas da Folha de S.Paulo. Os convidados foram Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), com a ausência de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que não foi convidado, mas no momento do evento realizou um chat com sua “twitcam” analisando a discussão dos adversários e colocando seu ponto de vista.

Ao parecer, as candidatas tinham um objetivo em comum, o candidato do PSDB, que foi motivo de muitas críticas. Por um lado Marina dizia: “Por que em 20 anos de governo do PSDB nós não temos aqui um exemplo de políticas públicas para o Brasil?”, referindo-se à situação do ensino no Estado de São Paulo, e também cobrou a campanha eleitoral que o candidato realizou utilizando imagens de favelas virtuais, sendo que no Brasil existem tantas favelas reais. E pelo outro lado estava Dilma, com os maiores ataques: “Como vocês estão vendo, ele não falou nada sobre substituição tributária. Havia uma fila burra no governo federal no governo Fernando Henrique Cardoso”

Apesar de ser levado a cruzar os braços enquanto ouvia as críticas, não se conformou em ser o alvo e defendeu-se dizendo para Dilma: “Você fica tão ligada para trás, seu espelho retrovisor é tão grande. É maior que o pára-brisa. Você não olha para frente”, já que ela não cansava de expor o caso do governo FHC. O tucano também colocou uma e outra vez falhas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do partido deste, apontando a desmoralização do ENEM e questões do setor de energia elétrica no Brasil: “O imposto sobre energia elétrica subiu, isso foi na gestão da Dilma. A luz que a gente acende, nós pagamos mais que o dobro de imposto federal que pagávamos”Entre elas, também ouve momentos de ataques, no final do debate Marina Silva se refere ao Lula dizendo: “Estão querendo infantilizar os brasileiros com essa história de pai e de mãe” e apontou que as perguntas que fez para um – referindo-se ao Serra – durante o debate, também faria para o outro – olhando para a Dilma-. Mas como sempre calma, consegue se sair bem na pergunta que um jornalista da Folha fez, sobre o que ela faria em um segundo turno, se o presidente lhe pedisse apoio a Dilma contra o Tucano,dizendo que “O segundo turno a gente discute no segundo turno”.

Já a Dilma é surpreendida por uma pergunta mais pessoal, sobre sua capacidade de dirigir um governo, após uma difícil fase de luta contra o câncer, respondendo com a frase “é preciso acabar com o preconceito. O câncer é uma doença curável e eu estou curada”.

Se compararmos o conteúdo de um debate online e um televisivo, vemos que nada muda no discurso entre os políticos. Mas, independente disto, o acesso ao conteúdo político via internet pode significar um passo a mais para a democratização da informação para os brasileiros fora ou dentro do país, pois facilita a transmissão de conteúdo público que afeta diretamente a sociedade.

Campanha eleitoral do Plínio Arruda

Por Mariana Araujo

Plínio Arruda, candidato à Presidência do PSOL, nocauteou simbolicamente Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), na noite de terça-feira(17/08) em sua campanha feita no horário eleitoral gratuito.

No vídeo que abordou o tema do financiamento público de campanha, dois atores, um homem e uma mulher, com semelhança física aos candidatos do PT e do PSDB estão em um ringue de boxe.

Sem mencionar os nomes de Dilma e Serra, um locutor anuncia: “doações dos banqueiros em 2006: R$ 10,5 milhões”, focando primeiro o candidato, a locução é repetida e a câmera foca a candidata.

Então surge um garoto, vestido com a camiseta do PSOL, que nocauteia ambos os candidatos.

Após o nocaute ter sido feito, o candidato Plínio Arruda expôs suas idéias sobre financiamento público de campanha.