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Guerrilha, Exílio e Dúvidas.

Por Roni Meireles – @Roni_Kane_Citiz

Dilma Rousseff não nasceu rica. Também não foi má educada. Desde cedo  estimulada politicamente, recebeu educação formal e escolheu a economia como carreira de nível superior.

Assim como Ernesto Guevara, médico que poderia confortavelmente passar a vida atendendo a pacientes em consultório particular na metrópole ou até mesmo exercer a carreira liberal de jornalista, como sabe-se que exerceu em suas viagens pela América Latina, Dilma Rousseff, ao invés de ter pegado em armas para lutar em prol do que entendia ser a justiça e a liberdade, poderia ter trabalhado como economista em MG.

Poderia trabalhar e aceitar as leis impostas à força de armas e de soldados pagos com o dinheiro do contribuinte. Leis feitas por governantes que não representavam os interesses desses contribuintes, que não foram escolhidos/eleitos por eles. Governantes que privilegiavam uma classe e determinados segmentos da sociedade, principalmente a si mesmos (militares).

José Serra também não precisaria ter fugido do país e exercido confortável e livremente a profissão de economista, o magistério e a livre expressão entre estudantes, artistas e intelectuais no Chile e nos EUA. Não! Poderia ter, CORAJOSAMENTE, permanecido no Brasil e LUTADO contra o opressor, mas o fato de nosso céu ter mais estrelas, nossas várzeas terem mais flores, nossos bosques mais vida e, aqui, nossa vida mais amores” não o sensibilizou nem o encorajou. Preferiu se exilar.

Com o fim da guerra fria, que alguns entenderam como o “fim da história” e o “fim da ideologia”, devido a despolarização Esquerda X Direita – que no Brasil se vincula ao fim da ditadura em 1986, 3 anos antes da queda do muro de Berlim – fatosque estão intrinsecamente ligados – os partidos Socialistas e Comunistas de todo o mundo, seus dirigentes, tiveram que mudar de postura.

A idéia de Revolução Socialista, que nasceu na Rússia em 1917, parida por Lênin, e que foi trazida para a América em 1959, por Fidel e Che, só sobreviviam numa ilha pequena e pobre do Caribe.

Após constatarem que a experiência Socialista de diversos países, como os dois mencionados, foi um fracasso devido à supressão das liberdades individuais, ao autoritarismo e à perseguição política e religiosa , sexual, de toda espécie em fim, os políticos brasileiros que se opunham ao capitalismo selvagem, nos moldes do Laissez Faire de Adam Smith, tendo finalmente alcançado a LIBERDADE para expressar seus pensamentos e DISPUTAR eleições, buscam uma alternativa viável para o Welfare State.

O fim da ditadura militar e a “reimplantação” da democracia civil fez com que políticos brasileiros (como por exemplo, os hoje adversários José Serra e  Fernando Henrique Cardoso, Plínio de Arruda, e Lula), que até 1986 lutavam principalmente por eleições diretas para os cargos públicos, redefinissem seus papéis e criassem novos partidos, de acordo com suas tendências e, claro, interesses.

Plínio Arruda, que é intelectual ativo e de muita tradição política, se exilou no Chile e nos EUA, tendo estudado e lecionado em grandes universidades internacionais a sua especialidade: economia.

Ele e FHC eram filiados ao PMDB. Combinaram criar um partido no final da década de 80. Entretanto FHC deu pra trás e fundou o PSDB, juntamente com Serra. Plínio abandonava o mesmo partido e fundava o PT com a Igreja católica, os movimentos sociais e com os sindicalistas do ABC.

Ambos os partidos propunham a social democracia – ou Terceira Via – sendo que o termo integra a legenda dos tucanos.

Apesar de ter implantado reformas sociais, durante os governos de FHC, entre 1994 e 2002, o PSDB mostrou-se adepto do Neo-liberalismo e do Consenso de Washington, atendendo aos interesses de setores ligados ao capital financeiro e à indústria estrangeira (EUA), que exercem grande influência sobre as elites e instituições dominantes no Brasil.

O PT, juntamente com outros partidos de tendência marxista da America Latina e com Fidel Castro, aderiu ao Foro de São Paulo.

Assim debutaram, na Novíssima República, anos 90.

Tendo, em 2002, alcançado o poder, que mantém com garras de ferro, o PT aperfeiçoou as políticas sociais e, (para a surpresa e revolta dos decanos do partido, como Plinio de Arruda e Heloísa Helena, que desertaram) também as políticas econômicas que foram implementadas pelo governo predecessor. O partido de esquerda estava se “endireitando”.

Em sua Carta aos Brasileiros, quando eleito, em 2002 – veja íntegra aqui – Lula deixava claro que não desagradaria às elites dirigentes, deixando-as ainda gozar o ócio e a benesse da especulação financeira, que suga a riqueza nacional, e da exploração do trabalho barato dos milhares de Pedro-pedreiros. Sem “dar cavalo-de-pau em embarcação grande” como sintetizou o assunto em seu traquejado modo popular de falar, a língua pressa, encantador de multidões. ( Aqui uma pausa para música).

Para alcançar a “governabilidade”, ou seja, o apoio e o voto dos outros partidos(que com maioria no Legislativo, poderiam fazer-lhe oposição, inviabilizando suas propostas), e para sustentar e aprovar leis e projetos de seu plano de governo,  o PT pratica desde 2002 o fisiologismo, tradicional verme que corrói a alma da democracia brasileira.

Às fartas vê-se o loteamento de cargos públicos de envergadura, até mesmo com a indicação de inimigos históricos do partido e de pessoas tecnicamente despreparadas ou sem qualquer experiência para presidir, desde o Senado Nacional (José Sarney – o beneplácito praticante de atos secretos), até às agências reguladoras, como o TCU e a AGU. Sem contar os Mensalões.

Dessa forma o PT estende seus fortes tentáculos de poder sobre todas as instâncias da máquina pública, a pretexto de tornar o Estado mais forte, a pretexto de um Keynesianismo. Simultaneamente coopta os movimentos sociais, como o MST, e os sindicatos trabalhistas que ascenderam ao poder com seu patrono, o ex-sindicalista, “Filho do Brasil”. Sempre com dinheiro e favores.

Apesar do racha no partido, da debandada de muitos dos seus tradicionais, e “radicais”, fundadores, e de seu notável, evidente, desvio de conduta, o PT governa o país com aprovação de aproximadamente 80% da população brasileira. Rica, pobre. Desigual.

Posto isso, qualquer candidato evita criticá-lo, com exceção de Plínio Arruda, que de acordo com as pesquisas de intenção de voto tem 1% da preferência do eleitorado e, portanto, nada a perder.

A par de todo o exposto, de tudo que se tem visto nos debates entre os presidentes dos partidos (José Eduardo Dutra – geólogo – e Sérgio Guerra – economista) e entre os candidatos ao Planalto, refletindo sobre suas declarações, perguntamos a si mesmos. Em quem votar? É difícil… como se vê a eleição está polarizada entre o PT e o PSDB, que muitas vezes se mostram tão convergentes entre si, e, tão contraditórios em si.

Por enquanto o novo messias transfere votos à Dilma Rousseff “como nunca se viu antes na história deste país”. Por enquanto os tucanos parecem sem discurso, com José Serra até mesmo elogiando Lula e seu governo. Fala mal pra ver o que acontece com seus suados votos…

Por enquanto. O futuro só Deus dirá. Vox populi, vox Dei. Em outubro, um novo ungido será apresentado da nação, pela nação, para a nação.

Leia também: Semelhanças e diferenças entre PT e PSDB

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Informação e consumo 3G

Por Roni Fagundes – follow me

A convergência digital, notóriamente marcada pela presença de redes sociais dinâmicas  ambientadas no espaço público virtual,  cada vez mais influencia no modo de entender o mercado informacional e a maneira de trabalhar dos mais diferenciados segmentos profissionais, inclusive o jornalístico.

TV 2.0: mais uma plataforma para o profissional da comunicação

André Mermelstein, jornalista e  diretor da divisão profissional da Sony, falou por aproximadamente 1 hora a respeito da integração da TV 2.0 no novo mercado de consumo, propiciado pelas mudanças comportamentais decorrentes da revolução tecnológica que está em curso, a qual foi definida por Silvio Meira como “revolução cambriana”, no mesmo dia,  29 de outubro, durante o Media On, em São Paulo, já abordado aqui.

Mermelstein destacou as características do novo modelo de TV que, de acordo com ele, em breve será o hegemônico. Elas são: não-linearidade (possibilidade de assistir  qualquer programa a qualquer momento),  múltiplas plataformas (Tv na internet, no celular, games na TV, internet na TV, broadcast TV), Long Trail (emergência de nichos, oferta e consumo de produtos altamente segmentados, como músicas ou desenhos alternativos) e interatividade.

Essas quatro características da TV 2.0  são as bases dos novos modelos de negócios aos quais a mídia profissional terá que se adaptar para manter com viabilidade e êxito suas atividades.

Entre esses modelos de negócios figuram os conteúdos patrocinados, o merchandising, o advertainment (Advertinsing + entertainment), o marketing integrado e o broaded content, este último teve o Repórter Esso como seu precursor.

Mermelstein afirmou que “as pessoas têm uma visão muito limitada de interatividade” e que a interação do usuário com a TV 2.0 será muito mais avançada do que a vista hoje em dia com TVs como a digital,  HD-TV e IPTV, muito confundidas com a primeira, segundo ele.

Explicou que a TV digital “da forma como se coloca, é linear, de modelo broadcast, similar à TV analógica, sem grandes sofisticações”. A IPTV “não é TV pela internet, a rigor não é muito diferente da TV analógica convencional”.

Esclareceu que as plataformas mais aproximadas da TV 2.0 são (1) o celular 3G, cuja “novidade hoje está na convergência entre diversas plataformas e redes sociais” e (2) a BroadbandTV, cujos “principais fabricantes são ocidentais (sem mencionar quais), e representa a convergência entre TV e internet”.

Mermelstein exortou a plateia de que “a projeção de crescimento do tráfego de vídeo nas novas plataformas digitais nos próximos 6 anos é de 6 vezes”.

Convém aos profissinais da comunicação, formados e formandos, experientes ou noviços, refletir a esse respeito. O discurso de Mermelstein na íntegra pode ser acessado aqui.

A natureza somos nós

Por Érica Perazza

Hoje acontece o movimento Blog Action Day. Blogueiros do mundo todo vão escrever e discutir sobre mudanças climáticas. O Brasil tinha até ontem 200 blogs inscritos.

meioambiente%202Até agora todos sabem dos problemas que o meio ambiente está sofrendo, mas ninguém ainda tomou consciência plena de que é extremamente grave. O ar que respiramos para sobreviver está nos matando. O impacto do aquecimento da Terra não são apenas as intensidade e a destruição das chuvas, as temperaturas mais elevadas, o derretimento das calotas polares. Segundo o site Mudanças Climáticas, “conclusões indicam que, dentro de um índice de confiabilidade de 95%, o clima de nosso planeta já está efetivamente sendo alterado. O aumento médio da temperatura global foi de 0,76 grau centígrado, mas em algumas regiões essa elevação foi muito maior”. Por consequências, várias espécies de animais estão entrando em extinção. Perdas de ecossistemas e biodiversidades podem se transformar numa realidade catastrófica. Além do mais, a saúde humana está comprometida devido a poluição atmosférica, ao aumento da seca e a baixa produtividade da agricultura e de energia hidroelétrica.

O homem consegue sobreviver às mudanças climáticas, mas do que adianta se as suas fontes vitais não resistirem? O Brasil é um país cheio de contradição.

De um lado da calçada vemos as pessoas lavando-as e disperdiçando água, do outro são criadas medidas em favor da natureza. Na última terça-feira, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a Política Estadual de Mudanças Climáticas, que reduz em 20% as emissões de gás carbônico até 2020. É isso que deve acontecer. Soluções e atitudes das autoridades e também da população que vão beneficiar a todos. Só realmente tomaremos uma atitude sobre os risco que o planeta corre, quando percebermos que nós fazemos parte da natureza.

Para se inscrever no Blog Action Day, acesse http://www.blogactionday.org

Maurício de Sousa aposta no Twitter

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“Responsável pela criação de personagens que sempre estiveram presentes na vida de várias gerações, o cartunista Mauricio de Sousa completou 50 anos de carreira na primeira quinzena de julho com a extraordinária marca de 1 bilhão de revistas publicadas. Ao longo desses anos, o público acompanhou não apenas as evoluções nos traços dos desenhos, mas a participação cada vez mais intensa dessas figuras no dia a dia das famílias brasileiras. Mauricio mostra-se como um cartunista que está inserido em cada momento de avanço tecnológico e atento às mudanças do público. O autor já criou personagens que representam períodos marcantes para o País, como o Ronaldinho Gaúcho, em 2005, e as novas integrantes da Turma da Mônica, Tikara e Keika, lançadas ano passado para comemorar o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Sua mais recente publicação, a Turma da Mônica Jovem, é considerada o maior sucesso dos quadrinhos nos últimos 30 anos. As quatro primeiras edições da revista venderam, juntas, mais de 1,5 milhão de exemplares, mostrando a capacidade do cartunista de obter êxito na comunicação com os adolescentes.

O cartunista também está atento às novas tecnologias: seu perfil no Twitter possui quase 36 mil seguidores. Além disso, acaba de lançar o site Máquina de Quadrinhos, voltado para crianças, que poderão criar as próprias histórias da Turma da Mônica”. Leia a entrevista completa no Nós da Comunicação

#culturadigitalbr

O Fórum da Cultura Digital Brasileira é uma iniciativa do Ministério da Cultura e da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. É aberto a participação de cidadãos interessados em melhorar nossa sociedade a partir do uso das tecnologias. O diferencial do Fórum será a organização de toda discussão em torno da elaboração de uma política pública por meio do site www.culturadigital.br. O espaço é totalmente horizontal e aberto a todos que tenham interesse em expor suas idéias e conversar sobre os temas que circundam a cultura digital. Desenvolvido em wordpress mu utilizando o plug in buddypress pela equipe do MinC (que desenvolveu o Xemele) em parceria com a Fli Multimídia.

Por meio da tag #culturadigitalbr conteúdos produzidos pelos usuários nas diferentes redes sociais existentes são indexados no culturadigital.br, de forma a constituir um banco vivo de conteúdos. Ou seja, qualquer conteúdo relacionado ao tema ‘cultura digital’ que você publicar na web, seja em seu blog, no youtube, no flickr, no twitter… deve ser tagueado com ‘#culturadigitalbr’. Se você fizer isso, a plataforma da Cultura Digital irá indexar esse conteúdo. Para começar serão 5 eixos de discussão: Arte e Tecnologia Digital, Comunicação Digital, Economia Digital, Infra-estrutura para a Cultura Digital e Memória Digital.

Novo concorrente para o Google

Ex-funcionários do Google lançaram um novo site de buscas na internet, o Cuil, para concorrer com o gigante americano.

Segundo os fundadores do novo site, ele tem um desempenho melhor do que o do Google por causa da tecnologia que usa para ordenar informações da internet. Eles alegam que, em vez de analisar apenas o número e a qualidade dos links relacionados a um site, como faz o Google, o Cuil tenta compreender mais as informações na página e os termos usados pelas pessoas para a procura.

Os fundadores do Cuil também dizem que o novo site usa mais de 120 bilhões de páginas na internet para construir seu índice de informações. Este número, dizem eles, é maior do que o usado pelo Google. Embora o consagrado site não revele qual é o número de páginas que analisa, insiste que seu índice ainda é superior.

Outra diferença entre os dois sites está no visual. Em vez de mostrar os resultados em uma lista na vertical, o Cuil exibe as páginas encontradas em várias colunas. Notícia publicada pelo site da BBC Brasil


Ramón Salaverría analisa blogs jornalísticos

Alberto Marques, da equipe do GJOL , nos traz mais esta grande dica: O pesquisador espanhol Ramón Salaverría analisa alguns blogs espanhóis. O trabalho “El estilo del blog periodístico: usos redaccionales en diez bitácoras españolas de información general” (.pdf), já está disponível na rede. Em seu blog, Salaverría explica o trabalho:

“Mi trabajo se apoya en un análisis de contenido realizado mediante técnicas cibermétricas. En concreto, analizo una muestra que comprende todos los artículos publicados durante dos semanas completas de mayo de 2006 por diez de los más significados blogs periodísticos españoles (Escolar.net, Mangas Verdes, La Huella Digital, Periodistas 21, Jabalí Digital, Caspa TV, Guerra Eterna, Sonia Blanco, Internet Política y Diario IP). Esta muestra permitió analizar un total de 292 artículos, que contenían 53.488 palabras, 1.169 enlaces, 95 fotografías y 25 vídeos”.