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Plinio 2.0

Por Vivian Ito

Após a grande notoriedade que as mídias sociais ganharam na política com a campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, os presidenciáveis do mundo inteiro tentaram se destacar nas plataformas sociais, a grande maioria sem sucesso.

No caso do Brasil, enquanto as eleições 2010 ficaram conhecidas como 1.0, pela falta de aproveitamento das mídias sociais. O ex-candidato a presidência, Plínio de Arruda Sampaio de 80 anos, tornou-se o ‘super-homem’ da Internet.

Não foi a falta de investimento em capanha online que não destacou os outros candidatos, mas a falta de pessoalidade em suas declarações e posts na rede. A quantidade de postagens no twitter revelavam que não era o presidente José Serra quem estava ‘twittando’ com seus seguidores, e no caso da presidente Dilma Rousseff, contratar a empresa Blue State Digital não ajudou a mostrar personalidade na rede.

Para comprovar este fato, podemos entrar no twitter dos candidatos e da atual presidente brasileira e verificar quem continua postando alguma informação e com que frequência.

Ao contrario de seus adversários, Plínio de Arruda não só se identificou com o fenômeno virtual, como também entendeu como funcionam. Prova disso são os seus acessos contínuos na rede mesmo após a eleição.

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Guerrilha, Exílio e Dúvidas.

Por Roni Meireles – @Roni_Kane_Citiz

Dilma Rousseff não nasceu rica. Também não foi má educada. Desde cedo  estimulada politicamente, recebeu educação formal e escolheu a economia como carreira de nível superior.

Assim como Ernesto Guevara, médico que poderia confortavelmente passar a vida atendendo a pacientes em consultório particular na metrópole ou até mesmo exercer a carreira liberal de jornalista, como sabe-se que exerceu em suas viagens pela América Latina, Dilma Rousseff, ao invés de ter pegado em armas para lutar em prol do que entendia ser a justiça e a liberdade, poderia ter trabalhado como economista em MG.

Poderia trabalhar e aceitar as leis impostas à força de armas e de soldados pagos com o dinheiro do contribuinte. Leis feitas por governantes que não representavam os interesses desses contribuintes, que não foram escolhidos/eleitos por eles. Governantes que privilegiavam uma classe e determinados segmentos da sociedade, principalmente a si mesmos (militares).

José Serra também não precisaria ter fugido do país e exercido confortável e livremente a profissão de economista, o magistério e a livre expressão entre estudantes, artistas e intelectuais no Chile e nos EUA. Não! Poderia ter, CORAJOSAMENTE, permanecido no Brasil e LUTADO contra o opressor, mas o fato de nosso céu ter mais estrelas, nossas várzeas terem mais flores, nossos bosques mais vida e, aqui, nossa vida mais amores” não o sensibilizou nem o encorajou. Preferiu se exilar.

Com o fim da guerra fria, que alguns entenderam como o “fim da história” e o “fim da ideologia”, devido a despolarização Esquerda X Direita – que no Brasil se vincula ao fim da ditadura em 1986, 3 anos antes da queda do muro de Berlim – fatosque estão intrinsecamente ligados – os partidos Socialistas e Comunistas de todo o mundo, seus dirigentes, tiveram que mudar de postura.

A idéia de Revolução Socialista, que nasceu na Rússia em 1917, parida por Lênin, e que foi trazida para a América em 1959, por Fidel e Che, só sobreviviam numa ilha pequena e pobre do Caribe.

Após constatarem que a experiência Socialista de diversos países, como os dois mencionados, foi um fracasso devido à supressão das liberdades individuais, ao autoritarismo e à perseguição política e religiosa , sexual, de toda espécie em fim, os políticos brasileiros que se opunham ao capitalismo selvagem, nos moldes do Laissez Faire de Adam Smith, tendo finalmente alcançado a LIBERDADE para expressar seus pensamentos e DISPUTAR eleições, buscam uma alternativa viável para o Welfare State.

O fim da ditadura militar e a “reimplantação” da democracia civil fez com que políticos brasileiros (como por exemplo, os hoje adversários José Serra e  Fernando Henrique Cardoso, Plínio de Arruda, e Lula), que até 1986 lutavam principalmente por eleições diretas para os cargos públicos, redefinissem seus papéis e criassem novos partidos, de acordo com suas tendências e, claro, interesses.

Plínio Arruda, que é intelectual ativo e de muita tradição política, se exilou no Chile e nos EUA, tendo estudado e lecionado em grandes universidades internacionais a sua especialidade: economia.

Ele e FHC eram filiados ao PMDB. Combinaram criar um partido no final da década de 80. Entretanto FHC deu pra trás e fundou o PSDB, juntamente com Serra. Plínio abandonava o mesmo partido e fundava o PT com a Igreja católica, os movimentos sociais e com os sindicalistas do ABC.

Ambos os partidos propunham a social democracia – ou Terceira Via – sendo que o termo integra a legenda dos tucanos.

Apesar de ter implantado reformas sociais, durante os governos de FHC, entre 1994 e 2002, o PSDB mostrou-se adepto do Neo-liberalismo e do Consenso de Washington, atendendo aos interesses de setores ligados ao capital financeiro e à indústria estrangeira (EUA), que exercem grande influência sobre as elites e instituições dominantes no Brasil.

O PT, juntamente com outros partidos de tendência marxista da America Latina e com Fidel Castro, aderiu ao Foro de São Paulo.

Assim debutaram, na Novíssima República, anos 90.

Tendo, em 2002, alcançado o poder, que mantém com garras de ferro, o PT aperfeiçoou as políticas sociais e, (para a surpresa e revolta dos decanos do partido, como Plinio de Arruda e Heloísa Helena, que desertaram) também as políticas econômicas que foram implementadas pelo governo predecessor. O partido de esquerda estava se “endireitando”.

Em sua Carta aos Brasileiros, quando eleito, em 2002 – veja íntegra aqui – Lula deixava claro que não desagradaria às elites dirigentes, deixando-as ainda gozar o ócio e a benesse da especulação financeira, que suga a riqueza nacional, e da exploração do trabalho barato dos milhares de Pedro-pedreiros. Sem “dar cavalo-de-pau em embarcação grande” como sintetizou o assunto em seu traquejado modo popular de falar, a língua pressa, encantador de multidões. ( Aqui uma pausa para música).

Para alcançar a “governabilidade”, ou seja, o apoio e o voto dos outros partidos(que com maioria no Legislativo, poderiam fazer-lhe oposição, inviabilizando suas propostas), e para sustentar e aprovar leis e projetos de seu plano de governo,  o PT pratica desde 2002 o fisiologismo, tradicional verme que corrói a alma da democracia brasileira.

Às fartas vê-se o loteamento de cargos públicos de envergadura, até mesmo com a indicação de inimigos históricos do partido e de pessoas tecnicamente despreparadas ou sem qualquer experiência para presidir, desde o Senado Nacional (José Sarney – o beneplácito praticante de atos secretos), até às agências reguladoras, como o TCU e a AGU. Sem contar os Mensalões.

Dessa forma o PT estende seus fortes tentáculos de poder sobre todas as instâncias da máquina pública, a pretexto de tornar o Estado mais forte, a pretexto de um Keynesianismo. Simultaneamente coopta os movimentos sociais, como o MST, e os sindicatos trabalhistas que ascenderam ao poder com seu patrono, o ex-sindicalista, “Filho do Brasil”. Sempre com dinheiro e favores.

Apesar do racha no partido, da debandada de muitos dos seus tradicionais, e “radicais”, fundadores, e de seu notável, evidente, desvio de conduta, o PT governa o país com aprovação de aproximadamente 80% da população brasileira. Rica, pobre. Desigual.

Posto isso, qualquer candidato evita criticá-lo, com exceção de Plínio Arruda, que de acordo com as pesquisas de intenção de voto tem 1% da preferência do eleitorado e, portanto, nada a perder.

A par de todo o exposto, de tudo que se tem visto nos debates entre os presidentes dos partidos (José Eduardo Dutra – geólogo – e Sérgio Guerra – economista) e entre os candidatos ao Planalto, refletindo sobre suas declarações, perguntamos a si mesmos. Em quem votar? É difícil… como se vê a eleição está polarizada entre o PT e o PSDB, que muitas vezes se mostram tão convergentes entre si, e, tão contraditórios em si.

Por enquanto o novo messias transfere votos à Dilma Rousseff “como nunca se viu antes na história deste país”. Por enquanto os tucanos parecem sem discurso, com José Serra até mesmo elogiando Lula e seu governo. Fala mal pra ver o que acontece com seus suados votos…

Por enquanto. O futuro só Deus dirá. Vox populi, vox Dei. Em outubro, um novo ungido será apresentado da nação, pela nação, para a nação.

Leia também: Semelhanças e diferenças entre PT e PSDB