Arquivo da tag: eleitorais

O papel da conectividade na política – Parte 1

Por Vivian Ito

Saímos da época em que o tempo era abundante, o prime time dos jornalistas ocorria na parte da manhã, o rádio dava as notícias da tarde e os telejornais possuíam uma grande audiência durante a noite. Havia uma taxa de tempo disponível em todos os meios, organizações e marcas. Este tempo era utilizado para ações definidas e concretas. Mas isso começou a mudar com a utilização da Internet, principalmente com o uso dos dispositivos móveis – ipad, ipod, smarthphones, entre outros – que permitem a conectividade continua, permanente e com poucos fragmentos de interrupção.

A televisão e a mídia impressa tinham claro o conhecimento de como era consumida a informação, após este fenômeno, as definições se descaracterizaram e ficou necessário uma reinvenção.

Em 1989, Fernando Collor garantiu as eleições após o debate exibido no Jornal Nacional, promovido pela Rede Globo de Televisão. “Propaganda rima com democracia”, dizia Harold Lasswel – um dos pais da comunicação – É fato que a influência da mídia nos eleitores é decisiva na hora de uma campanha política. E agora com a Internet, o retorno da audiência é imediato.

Após a campanha de Barack Obama – que utilizou de forma massiva ferramentas como twitter e facebook para atingir os eleitores – nos Estados Unidos, um novo mercado de marketing político se iniciou. Em 2010 o Brasil realizou suas primeiras eleições sob efeito da internet e das redes sociais.

Pode-se dizer que a internet foi o terceiro bloco formador de opinião desta campanha, se juntando aos partidos políticos e seus candidatos, além da mídia tradicional. Cada candidato se mobilizou na web, uns com mais desenvoltura, outros com mais dificuldades. Contudo, os usuários podiam navegar pelos sites dos candidatos e ter acesso às principais propostas, podendo comparar históricos e decidir entre um e outro.

Como o uso da Internet já era previsto para este pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu a propaganda na Internet na hora de definir o que seria permitido ou não, no período que antecedeu a campanha eleitoral.

Apesar do nome inicial ter sido “Eleições 2.0”, especialistas afirmam que a maioria dos candidatos não aproveitaram ao 100% as funções das mídias sociais. Tiveram dificuldade em adaptar suas campanhas ao formato digital, provavelmente não conseguiram entender como funciona cada uma das redes.

Mesmo assim, podemos dizer que só houve segundo turno por causa da internet. No caso da candidata Marina Silva que era praticamente desconhecida, a Web foi fundamental em sua propaganda política. Como disse Túlio Costa – Coordenador da Web da campanha de Marina Silva (PV) – “para quem acha que 20 milhões de votos é pouco, é só lembrar que nem Brizola chegou a esse número”.

Anúncios